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Quinta-feira, Fevereiro 12, 2026
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Mike Pence, o (único) homem de confiança de Trump

Donald Trump disse, há um ano, que nunca pensaria recandidatar-se a um segundo mandato como Presidente dos EUA se não pudesse contar com a presença de Mike Pence, o vice que conquistou a sua confiança.

Numa reunião na Casa Branca, em 2017, Mike Pence conseguiu a proeza de elogiar Donald Trump por 14 vezes em menos de três minutos, à cadência de um elogio em cada 12 segundos.Mesmo quando foi desautorizado pelo Presidente – quando estava à frente do gabinete de combate à pandemia de covid-19, em julho, e tinha prometido toda a ajuda aos governadores estaduais a encontrar fundos para os planos sanitários, para dias depois Trump dizer que estava disposto a cortar todos os fundos para os estados, se eles não reabrissem as escolas — Pence nunca mostrou o menor embaraço ou irritação.

“Estamos consigo, senhor Presidente!” foi uma das frases que Pence mais repetiu ao longo deste mandato e que a imprensa norte-americana salientou como traço da inquestionável lealdade do vice-Presidente.

A parceria regressa agora na candidatura a um segundo mandato, nas presidenciais de 03 de novembro.

Vários analistas dizem mesmo que ele é o único homem em quem Trump confia verdadeiramente, recordando o histórico de mexidas no `staff` presidencial ao longo do primeiro mandato.

A verdade é que Pence foi de enorme utilidade para as aspirações de reeleição do Presidente, durante o único debate televisivo nesta campanha eleitoral, contra a adversária democrata, Kamala Harris, demonstrando uma serenidade que Trump não teve no seu confronto com Joe Biden.

Mike Pence conseguiu travar o ímpeto da senadora democrata e recebeu elogios de vários setores do partido e até o reconhecimento dos adversários políticos, que salientaram o bom desempenho do vice-Presidente numa situação difícil de embate onde lhe cabia o papel de assumir falhas do Governo de Trump.

Aos 61 anos e com uma imagem de político conservador, em contraste com o estilo `bon vivant` e mulherengo de Trump, Mike Pence parecia uma escolha improvável, no `ticket` (a dupla de candidatos à Casa Branca) da campanha republicana de 2016.

Com inegável pragmatismo, Trump intuiu que Pence lhe poderia ser muito útil a cativar o voto e os fundos de campanha da comunidade cristã evangélica, que vale quase um quarto do eleitorado dos EUA e junto da qual o antigo governador de Indiana agregara elevados níveis de prestígio.

O único momento de divergência entre os dois aconteceu ainda durante a campanha de 2016, quando foi divulgado um vídeo em que Trump aparecia a fazer comentários vulgares sobre as mulheres.

“Não posso tolerar as suas observações e não as posso defender”, comentou, na altura Mike Pence, certamente bem mais chocado do que as palavras o deixaram entender, mas mostrando ao seu parceiro de campanha que a sua lealdade tinha algumas linhas vermelhas que, sobretudo no campo moral, não poderiam ser ultrapassadas.

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Mike Pence, que nasceu em 07 de junho de 1959, em Columbus, Indiana, teve uma educação conservadora e revelou um forte sentimento religioso, de cristão evangélico, que moldou a sua vida pessoal e influenciou a sua carreira política.

Formou-se em Direito na Universidade de Indiana, mas cedo procurou a vida política, tendo perdido duas corridas para a Câmara de Representantes, em 1988 e 1990.

Foi eleito pelo Estado de Indiana em 2000 e permaneceu no lugar de congressista até 2013.

Nesse ano, Pence foi eleito governador de Indiana, tendo ficado conhecido por ter realizado a maior baixa de impostos daquele Estado do centro dos EUA, mas também por ter assinado várias leis de restrição à prática do aborto, numa postura política muito conservadora que lhe valeu críticas dos setores mais moderados do Partido Republicano.

Em 2016, Mike Pence chegou a pensar candidatar-se a Presidente dos EUA e teve mesmo várias reuniões com dirigentes do Tea Party, a fação ultrarradical republicana que via nele potencial para contrariar a hegemonia das fações mais poderosas do partido no Congresso.

Mas o convite de Trump para ser o seu candidato a vice-Presidente, nesse mesmo ano, retirou-lhe a ambição e Mike Pence muito rapidamente aceitou o desafio, apesar das reservas sobre o perfil do então empresário, que ele admitia ser muito “espalhafatoso” para o seu gosto mais conservador.

Durante o mandato, Pence foi sempre a peça discreta da equipa de Trump, tornando-se o único elemento que o Presidente nunca criticou publicamente e em quem foi progressivamente ganhando mais confiança.

Perante a pandemia de covid-19, no início deste ano, foi a Pence que Trump confiou o gabinete de crise, apesar de constantemente lhe retirar protagonismo, aparecendo ele próprio nas conferências de imprensa diárias.

Mas, ao mesmo tempo, Trump reconhecia a utilidade de ter Pence a lidar com as dificuldades de gestão da crise sanitária, em particular com o poder local.

“Ele fala a linguagem dos governadores, porque os conhece bem. Ele foi um deles”, disse Trump, referindo-se à habilidade de Pence para travar a inquietude dos autarcas e dos líderes dos governos estaduais, que se queixavam com frequência da falta de apoio do Governo federal.

Mike Pence também nunca desafiou o Presidente ou o desmentiu, mostrando que era um leitor atento das numerosas mensagens de Trump na rede social Twitter, que ele depois repetia na solenidade dos eventos onde representava a Casa Branca.

“Ele merece a confiança do Presidente”, disse um dos assessores de Trump, referindo-se ao modo como Pence foi sempre tratado, apesar deste ter confessado que, em privado, é muitas vezes “totalmente arrasado” pelas fúrias do chefe de Estado.

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