“Então, o apelo do Papa é para que todos rezemos pelos deslocados; que tenhamos essa sensibilidade de, no domingo, em todas as nossas celebrações, lembrarmos desse tema dos deslocados.

Eu gostaria de até dizer que o Papa colocou como tema esse aqui que é: forçados como Jesus Cristo a fugir. E o Papa nos lembra quatro verbos que deve iluminar o nosso trabalho com os deslocados e também com os refugiados: acolher, proteger, promover e integrar os deslocados internos. Eu convido toda a igreja de Moçambique, todas as comunidades, para rezarmos, domingo, pelos deslocados.”

Dom Luíz Lisboa, Bispo da Diocese de Pemba. Pemba, a capital de Cabo Delgado, província que, desde Outubro de 2017, sofre ataques protagonizados por grupos terroristas. Ataques que já fizeram várias vítimas mortais e provocaram mais de 360 mil deslocados internos.

“Imagina pessoas morarem no quintal, vivendo de favor de uma família… Imagina pessoas, famílias inteiras, ocupando uma tenda. Se fosse a família inteira já seria muito ruim, os pais dormindo junto com os filhos…mas o que tem acontecido, em alguns acampamentos, duas famílias ocupando a mesma tenda… sem contar pessoas idosas, crianças que estão dormindo ao relento.”

E, desde o primeiro momento, a Igreja Católica tem procurado ajudar os deslocados internos. Neste momento, para além de comida e outros bens essenciais, a Igreja tem dado apoio psico-social. Trabalho feito por cerca de 50 pessoas, entre padres, religiosos e leigos, que foram preparados para lidar com a situação dos deslocados internos.

“Esse trabalho tem tido um efeito muito positivo. Nós já estamos fazendo em 3 acampamentos, lá em Metuge, e a intenção é ir para dois outros acampamentos e começar esse trabalho nos bairros aqui também de Pemba e dos outros distritos. Temos duas irmãs que são psicólogas.

“Já foram fazer esse treino também em Chiure, vão ainda a Montepuez, e, também a pedido do arcebispo de Nampula, vão a Nampula, preparar pessoas para que possam fazer esse trabalho com os deslocados. E esse trabalho tem sido tão importante quanto levar comida, porque as pessoas precisam, sim, de comida, de abrigo, mas também precisam quem sente e as oiça; que elas possam contar, compartilhar o seu sacramenta.”

O Bispo de Pemba diz que a Igreja Católica está pronta a auxiliar as autoridades no que for necessário. Diz que é importante acabar com os ataques terroristas e que se deve encontrar respostas de curto, médio e longo prazos para a população sofrida de Cabo Delgado. Respostas que, no seu entender, passam pela educação e pelo emprego.

A Igreja, segundo Dom Luíz Lisboa, tem sonhos e projectos de construção de escolas, sobretudo de escolas técnico-profissionais para a formação de jovens.

O Bispo de Pemba está preocupado com o que pode acontecer nos próximos meses, uma vez que vai começar a época chuvosa e as doenças de origem hídrica poderão ser um grande problema para os deslocados internos