Sociedade Grupos no Norte são radicais islâmicos que pretendem impor ‘sharia’, diz investigador

Grupos no Norte são radicais islâmicos que pretendem impor ‘sharia’, diz investigador


O investigador Sérgio Chichava concluiu que os ataques armados que assolam a província de Cabo Delgado são protagonizados por grupos radicais islâmicos que querem instalar a ‘sharia’, lei islâmica que se sobrepõe à autoridade do Estado.

Sérgio Chichava, pesquisador do Instituto de Estudos Sociais e Económicos (IESE), assumiu a tese do objetivo de imposição da lei islâmica na análise intitulada “Quem é o inimigo que ataca Cabo Delgado?”, divulgada hoje em Maputo.

“Evidências no terreno mostram claramente que o país está perante a presença de um grupo radical islâmico que pretende impor a ‘sharia’”, referiu o investigador moçambicano, nas conclusões do seu estudo sobre a violência em Cabo Delgado.

Os ataques às vilas de Mocímboa da Praia e Quissanga, no final de março, não deixam dúvidas de que os grupos armados são movidos pelo fundamentalismo islâmico, sublinhou.

Num vídeo gravado em frente à sede da administração da vila de Quissanga, um suposto líder dos atacantes citou o alcorão e proferiu palavras de veneração a Alá.

Na semana passada, uma igreja católica foi vandalizada durante um ataque no distrito de Muidumbe, em Cabo Delgado, numa ação atribuída aos grupos armados que atuam na região.

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Além disso, as ações armadas em Cabo Delgado têm sido reivindicadas pelo grupo extremista Estado Islâmico (EI) em comunicados que divulga na Internet.

O investigador do IESE notou que, no início, uma das marcas registadas dos grupos que atuam em Cabo Delgado eram as decapitações, à semelhança de outros grupos terroristas, como o Boko Haram, que aterroriza alguns países da África Ocidental, e o EI.

A prática de degolar as vítimas em Cabo Delgado parece ter abrandado, numa aparente mudança de tática para mobilizar apoio popular.

Sérgio Chichava assinalou, contudo, que o mistério em torno da identidade dos autores da violência persiste, cerca de dois anos e meio após a eclosão das ações armadas, defendendo que mais pesquisa terá de ser feita para apurar a matriz do conflito.

Os ataques armados em Cabo Delgado já provocaram a morte de pelo menos 350 pessoas desde 2017 e várias organizações internacionais classificam a violência na região como uma ameaça terrorista.

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