Destaque Partidos da oposição dizem que democracia caiu no país

Partidos da oposição dizem que democracia caiu no país

Os dois principais partidos da oposição no país consideram que a democracia no país regrediu, devido à fraude nas eleições gerais do ano passado e à intolerância política, defendendo a pressão interna e internacional para salvar as liberdades fundamentais.

A Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), principal partido da oposição, e o Movimento Democrático de Moçambique (MDM), terceiro principal partido, avaliaram negativamente a democracia no país, na sequência do relatório da organização Freedom House, que refere que o país regrediu em matéria de democracia.

O porta-voz da Renamo, José Manteigas, disse hoje à Lusa que a avaliação da Freedom House retrata a erosão que o processo democrático e as liberdades individuais têm vindo a registar no país.

“A surpresa só pode estar com quem não conhece a realidade moçambicana: tivemos no ano passado as eleições mais fraudulentas da história democrática do país e temos uma intolerância política que não cessa”, afirmou José Manteigas.

O processo eleitoral foi marcado por ilegalidades deliberadamente promovidas para negar aos moçambicanos o direito ao sufrágio universal, frisou.

“Aquilo não foram eleições, desde o recenseamento até à votação, houve de tudo um pouco: empolamento do número de eleitores, enchimento de urnas, votações múltiplas e detenção de delegados de candidaturas da oposição”, vincou José Manteigas.

O porta-voz da Renamo apontou o assassinato do observador eleitoral Anastácio Matavele como prova de repressão aos direitos individuais no país.

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“É urgente salvar a democracia moçambicana, através da pressão pacífica da sociedade moçambicana e da comunidade internacional”, defendeu Manteigas.

Por seu lado, o porta-voz do MDM considerou que a avaliação da Freedom House é o retrato do que se passa no país.

“As eleições gerais foram uma autêntica paródia e a intolerância política está imparável no país”, declarou Fernando Bismarque.

A morte e a agressão de pessoas críticas à governação da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo) instalou um clima de medo que tem levado ao silêncio.

“As vozes que se sentiam livres para emitir opinião agora fogem do debate, com medo de que lhes aconteça algo pior”, referiu.

A Lusa ainda não conseguiu ouvir um comentário da Frelimo ao relatório da Freedom House.

A análise refere que Moçambique foi um dos países onde a democracia mais recuou no ano passado.

De acordo com o relatório “Freedom in the World 2020”, os países com os maiores retrocessos e progressos em termos de liberdade e democracia no ano passado localizam-se todos em África.

“Benin, Moçambique e Tanzânia foram penalizados por eleições fraudulentas e a repressão de dissidentes por parte do Estado, enquanto o Sudão, Madagáscar e a Etiópia beneficiaram do progresso em matéria de reformas e de leis mais democráticas”, adiantou o documento.

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