Residentes dos bairros da Zona Verde e Ndlavela, Município da Matola, colocaram lombas ao longo das ruas pavimentadas que ligam ao bairro Khongolote, a norte, sem obedecer a qualquer critério de engenharia e segurança para os utilizadores, acabando por ser um caso de anarquia na abordagem de um assunto que preocupa a toda a sociedade, nomeadamente os acidentes de viação.

Além da Rua do Khongolote, uma das mais afectadas, a situação pode ser testemunhada também na estrada que liga ao bairro de Ndlavela, com passagem pelo estabelecimento penitenciário feminino, e em parte do troço asfaltado que desemboca na Estrada Nacional Número Um (EN1), onde a abundância de lombas acaba por prejudicar escoamento do tráfego e a conservação das viaturas.

Os automobilistas já se queixam e afirmam que as lombas assim concebidas são um desafio à sua  paciência, pois danificam as viaturas e concorrem para toda a desordem que se assiste no tráfego.

O “Notícias” esteve recentemente no local e constatou que, nalguns casos, as lombas são demasiado salientes, dificultando a passagem de viaturas com suspensão baixa.

Para evitar possíveis danos, os condutores são obrigados a parar a marcha e procurar a melhor forma de vencer a lomba, acabando por originar congestionamento.

Por outro lado, e de acordo com automobilistas abordados pela nossa reportagem, a criatividade dos moradores que colocaram lombas, não foi acompanhada da devida sinalização, facto que dificulta a sua identificação pelos condutores, que muitas vezes esbarram-se bruscamente nelas, com todas as consequências que se podem esperar.

Por seu turno, os munícipes argumentam que tomaram a decisão porque os automobilistas circulavam a alta velocidade, pondo em perigo a segurança dos moradores dos bairros atravessados, sobretudo crianças.

A título de exemplo, segundo os moradores, no mês de Dezembro houve vários sinistros resultantes do excesso de velocidade. Numa destas situações quatro pessoas morreram atropeladas por um veículo que seguia em excesso de velocidade.

Acrescentaram que, noutras ocasiões, os automobilistas, com destaque para os operadores de transportes semicolectivos de passageiros, embatem contra os muros de vedação ou invadem as residências.

Inspirados por esta realidade, os moradores dizem que não tiveram outra alternativa senão a colocação de lombas, hoje mote de desacordo.

“Estamos vulneráveis…”

Os moradores afirmam que aquando da pavimentação do troço Zona Verde – Cemitério de Khongolote, o Conselho Municipal não reassentou as famílias cujas residências estão junto a rodovia, deixando muitos destes agregados numa situação de vulnerabilidade.

Pindili Mussimpo, residente de Dlavela, disse que a colocação de lombas não é um desafio às autoridades, mas uma forma de prevenir o pior.

“São os nossos filhos que são atropelados pelos carros que se fazem a alta velocidade. Já reportámos várias vezes a situação ao Conselho Municipal, mas a nossa inquietação nunca foi atendida”, disse.

Melú Conjane, outra residente em Ndlavela, disse que no mês de Dezembro houve vários acidentes. Depois destes casos, tal como disse Conjane, não podiam mais espera pelo Município e avançaram na colocação das barreiras, de modo a forçar os automobilistas a abrandar a marcha.

“Há dias, uma família perdeu três membros, vítimas de atropelamento. Na verdade o que está em causa são vidas humanas que pretendemos salvaguardar. As pessoas estão a morrer e, também, assistimos a destruição do património, mas nada está a ser feito para alterar o triste cenário”, disse.

Helena Mavie, moradora do bairro Zona Verde, disse que pelo menos duas pessoas são atropeladas semanalmente nas estradas do bairro, facto que é preocupante.

“Alguns condutores não socorrem as vítimas. Se o Município identificasse um espaço para reassentar as famílias que estão junto à estrada seria uma boa saída”, disse.

Carros danificados

SALVADOR Fernando, automobilista, disse que a atitude dos moradores é inadmissível porque os particulares não devem invadir infra-estruturas públicas e no caso em concreto, colocando lombas que danificam as viaturas.

“Não é papel dos moradores colocar lombas nas vias públicas. É verdade que a maior parte destas lombas foram colocadas no período nocturno, mas apercebendo-se da situação as autoridades deviam intervir”, disse.

Emídio Micas, condutor e utente da via, disse que o seu carro já tem problemas e é obrigado a levar ao mecânico frequentemente.

“Isto é uma anarquia resultante da passividade das autoridades municipais. O Município só  existe para fazer a cobrança de impostos e mais nada. Os moradores não podem mexer com infra-estruturas públicas e as autoridades encarar a situação com naturalidade”, disse.

Raul Macuácua, também automobilista, entende que as autoridades municipais devem remover as lombas “clandestinas” e barricadas colocadas nas bermas da estrada porque estão a danificar os carros e propiciam a ocorrência de desastres.

Macuácua acrescentou que a circulação na Rua do Khongolote, por exemplo, está mais difícil porque para além de lombas, ela apresenta-se esburacada em vários troços.

“Não podemos afrontar os munícipes…”

O VEREADOR de Infra-estruturas no Município da Matola, Firmino Guambe, disse ter conhecimento de que os moradores colocaram lombas em diversas vias, sobretudo na Rua do Khongolote e na via que liga a Zona Verde e Estrada Nacional Número Um (EN1).

Disse que o Município não está para afrontar os munícipes, mas para mostrar trabalho, razão porque, segundo reconheceu, não seria boa ideia mobilizar meios para remover as lombas porque a população pode se revoltar.

“Vamos acautelar que as estradas em construção em diversos pontos da Matola tenham lombas. Só assim é que vamos evitar que os munícipes usem meios próprios para colocar obstáculos, sem obedecer  nenhuma técnica, facto que até certa medida prejudica os automobilistas”, disse.

A situação, tal como disse, surpreendeu as autoridades municipais que estão a estudar uma forma de a corrigir.