Cinco distritos do norte da província de Cabo Delgado estão sem electricidade há três dias devido à queda de uma torre de alta tensão, após a subida do nível da água no rio Messalo, disse ontem (13) fonte oficial.

“A torre caiu por volta das 20:40 (locais). O leito do rio Messalo alargou-se, criou erosão e corroeu toda a base da torre”, disse o delegado da Electricidade de Moçambique (EDM) em Pemba, Gildo Marques, em declarações à agência Lusa.

No total, 15.200 clientes foram afectados nos distritos de Muidumbe, Nangade, Mueda, Palma e Mocímboa da Praia, na sequência do mau tempo que se regista na região.

Os distritos em causa são parte dos nove da província de Cabo Delgado que permanecem isolados há duas semanas na sequência do desabamento de uma ponte sobre o rio Montepuez, na Estrada Nacional 380, a principal estrada no norte da região.

A reposição da corrente eléctrica nos cinco distritos afectados será feita dentro de dez dias devido a dificuldades de acesso à região, mas enquanto isso a EDM vai implementar “soluções alternativas”, entre as quais montagem de pórticos de madeira suficientemente altos para receber cabos eléctricos, avançou o delegado da EDM em Pemba.

A província de Cabo Delgado está a ser abalada pelo mau tempo desde finais de Dezembro, tendo sido afectadas cerca de 10 mil pessoas, além da destruição de várias infraestruturas, com destaque para o desabamento da ponte sobre o rio Montepuez.

Moçambique emitiu um alerta laranja para todas as províncias do país, como forma de acelerar a mobilização de recursos para a assistência a vítimas e à reposição de danos, tendo em conta que a época chuvosa no país só termina em Abril.

Em Abril, alguns pontos da província de Cabo Delgado foram atingidos pelo ciclone Kenneth, que causou a morte a 45 pessoas e afectou outras 250 mil.

Um mês antes da passagem do Kenneth, o centro de Moçambique foi devastado pelo ciclone Idai, que provocou mais de 600 mortos e afectou cerca de 1,5 milhões de pessoas no centro do país, além de destruir várias infraestruturas.

Entre os meses de Novembro e Abril, Moçambique é ciclicamente atingido por ventos ciclónicos oriundos do Índico e por cheias com origem nas bacias hidrográficas da África Austral.

No total, 714 pessoas morreram durante o período chuvoso em 2018/2019, incluindo 648 vítimas dos ciclones Idai e Kenneth.

Lusa