Familiares e amigos de Mamudo Amurane, autarca da cidade de Nampula, assassinado em 2017, dizem que o despacho do Tribunal Judicial que ordena que o caso deve esperar a produção de melhor prova, não passa de uma tentativa de arquivar.

Eles dizem que a decisão é revoltante, uma vez que os órgãos da justiça do país raramente investigam crimes hediondos.

Amurane Selemane, sobrinho do edil assassinado, diz que a família quer ver os criminosos julgados e condenados, mas tem dúvidas que venha acontecer.

”Se o serviço de investigação criminal passou quase dois anos e não conseguiu produzir melhor prova do processo, não me parece que com essa decisão do tribunal possa aparecer a prova que considere melhor,” diz Momade Ussene, jurista e amigo de falecido Amurane.

Ussene, que diz ser das pessoas mais interessadas em ver o crime esclarecido, refere estar preocupado, com o que vai acontecer daqui para frente com o processo que investiga o assassinato do seu amigo, e mostra-se céptico quanto ao esclarecimento.

Ele continua: “Será que haverá a melhor prova o processo será julgado? E os autores do crime responsabilizados e nós conhecermos quem tirou a vida de Amurane? Tenho minhas dúvidas.”

“O povo sabe quem assassinou Amurane”.

Entretanto, o padre Ze Luzias, considera que do ponto de vista objectivo o tribunal tem razão, porque apresentar o ex vereador como culpado sem prova suficiente apenas porque estava no momento do seu assassinato foi uma maneira quase brincalhona.

“Mas obviamente não estou a querer o ilibar. Certamente o senhor não tinha arma na mão, e os assassinos terão sido outros. De facto o tribunal deve colocar a hipótese do antigo vereador estar implicado, mas há necessidade de mais provas” diz.

Ele sublinha que “o povo sabe quem assassinou Amurane”.

Luzias, diz ainda que o despacho emitido pelo tribunal deixa desiludidos todos que admiravam a competência política de Amurane, e com isso, os que gostariam de ver o caso esclarecido vão ficar à espera.

Mahamudo Amurane, foi assassinato a tiro na sua residência particular a 4 de Outubro de 2017, quando Moçambique comemorava o dia de Acordo Geral de Paz de Roma.

VOA