O Exim, Banco de Exportações e Importações dos EUA, deverá financiar fornecimentos para as obras de exploração de gás natural no Norte de Moçambique e apoiar 16.400 postos de trabalho norte-americanos, anunciou em comunicado.

A direcção do banco pediu autorização ao Congresso norte-americano, órgão legislativo, para atribuir “um empréstimo directo de cinco mil milhões de dólares” ao consórcio da Área 1 de Moçambique, “para apoiar a exportação de bens e serviços de vários estados [dos EUA] para as obras do projecto de gás natural na península de Afungi”, refere o documento consultado pela Lusa.

O empreendimento, que deverá catapultar a riqueza gerada em Moçambique nas próximas décadas, terá também impacto nos Estados Unidos.

“Estima-se que o financiamento do Exim apoie 16.400 postos de trabalho americanos ao longo do período de cinco anos de construção, incluindo postos em fornecedores do Texas, Pensilvânia, Geórgia, Nova Iorque, Tennessee, Florida e distrito de Colúmbia”, acrescenta.

Através de “vendas subsequentes, milhares de postos de trabalho adicionais podem ser criados nos EUA”.

A petrolífera norte-americana Anadarko, recentemente comprada pela Occidental (também dos EUA), lidera o consórcio da Área 1 que receberá o empréstimo.

Os bens e serviços dizem respeito a engenharia, construção e aquisições diversas e o apoio do Exim justifica-se porque “as exportações norte-americanas estão a enfrentar competição directa de financiamento oferecido por outras agências de crédito estrangeiras”.

Em termos financeiros, o empréstimo pode render 600 milhões para os contribuintes dos EUA, sublinha.

O Exim aponta ainda a operação financeira como uma forma de impulsionar a iniciativa África Próspera da administração do presidente Trump, lançada em Dezembro de 2018, juntando mais de 15 agências norte-americanas para promover oportunidades de negócio.

O projecto “não é apenas uma vitória para empresas e trabalhadores americanos, apoiando mais de 10 mil empregos nos Estados Unidos, mas também para o povo de Moçambique”, refere Wilbur Ross, secretário do Comércio da administração dos EUA, citado no comunicado.

As jazidas de gás natural da bacia do Rovuma, ao largo da costa Norte de Moçambique, província de Cabo Delgado, vão começar a ser exploradas dentro de três anos por petrolíferas multinacionais e colocar o país lusófono entre os dez principais fornecedores mundiais.

Lusa