Milhares de passageiros foram surpreendidos nas primeiras horas de ontem, na cidade de Tete, com a paralisação de viaturas de transporte semi-colectivo, vulgo “Chapa-100”.

Os motoristas e alguns proprietários decidiram paralisar a actividade, em protesto contra a decisão do Conselho Municipal de alterar algumas paragens intermédias naquela urbe.

Os transportadores estavam, assim, a pressionar o Conselho Autárquico da cidade de Tete, que alterou algumas paragens intermédias para dar lugar às obras de reabilitação das ruas danificadas pelas águas das chuvas que se fizeram sentir no passado mês de Março.

A paralisação criou embaraços aos trabalhadores, que pretendiam chegar aos seus  postos de trabalho, porque não sabiam dos motivos da falta de transporte.

Para garantir o cumprimento da decisão do Conselho Autárquico, agentes da Polícia Municipal desdobraram-se pelas artérias usadas pelos transportadores.

Não há registo de violência, porque os transportadores limitaram-se a ficar em casa. Alguns retomaram a actividade cerca das 15 horas, mas carregando e descarregando os passageiros nas paragens intermédias indicadas pelas autoridades municipais.

“Entramos em greve porque não fomos comunicados com antecedência sobre a decisão da alteração das paragens. O Conselho Municipal acordou e decidiu mudar as paragens.

Achamos que isso não é bom. Devia haver um diálogo, ou pelo menos anunciarem na rádio para o conhecimento de todos os utentes da via pública”, disse Joaquim Caetano, motorista.
Rosário Mateus, outro motorista, explicou que “a questão de fundo é que não existe uma boa comunicação com o município de Tete. Não nos consideram como aqueles que prestam serviços para o desenvolvimento desta urbe. É pena porque os nossos colegas furaram a greve”.

Em entrevista à AIM, o chefe das Relações Pública do Comando da Polícia Municipal, na cidade de Tete, explicou que a alteração das paragens intermédias não é definitiva.

“Não havia necessidade de fazer anúncios na rádio, porque as áreas são abrangidas pelas obras de reabilitação, à medida que os trabalhos vão progredindo. Por isso, dissemos que, por enquanto, esta e aquela paragem ficam alteradas para dar lugar à reabilitação e depois voltam a carregar e descarregar os passageiros nos lugares habituais”, afirmou.

Pediu a compreensão dos transportadores, vincando que se pretende garantir boas condições de transitabilidade e, para tal, “é preciso que as ruas sejam reabilitadas”.

“Esta é mais uma agitação, porque mesmo nas estradas nacionais, quando estão em obras, os automobilistas são obrigados a fazer certos desvios, e isso não tem constituído motivo para greve”, disse o porta-voz.

“Tínhamos que ser implacáveis para fazer cumprir a decisão tomada”, acrescentou.

Garantiu que os transportadores poderão voltar às paragens intermédias habituais logo que as obras terminarem.

“Eles devem saber que em algum momento podemos fechar a via, que estiver em obras, mas indicando outra que possa servir de alternativa. Isso vai ter que acontecer, porque queremos que a nossa cidade esteja em boas condições de transitabilidade”, afirmou.

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