Destaque Paulo Vahanle criticado por nomear filho de líder da Renamo

Paulo Vahanle criticado por nomear filho de líder da Renamo

Continua a dar que falar a nomeação de parentes de dirigentes da Renamo a nível do Conselho Autárquico de Nampula. Uma das nomeações mais sonantes é a de Osvaldo Ossufo Momade, um dos filhos do líder do principal partido da oposição no país, para Vereador da Promoção Económica, um dos sectores vitais da edilidade, por este ser a fonte de colecta de fundos, na sua maioria, nos estabelecimentos comerciais.

Alguns cidadãos consideram que as nomeações têm a ver com a ligação partidária, uma vez que, segundo eles, existem muitos outros jovens na sociedade civil e que, se o edil optasse por um deles, estaria a fazer valer a inclusão no espírito e na letra.

André José é um desses cidadãos e afirma aos microfones da DW África que “no passado criticavam a Frelimo, que estava a colocar familiares na administração”. “Agora com a tomada de posse da Renamo nesta cidade, estamos a ver o mesmo problema. Isso já não pode ser. Há muitos outros cidadãos da sociedade civil que estão interessados em também ajudar no desenvolvimento da cidade de Nampula”, lamentou.

Várias críticas a Vahanle

Paulo Vahanle, edil de Nampula, já ouviu várias críticas, mas em declarações à DW-Africa minimizou-as afirmando que a nomeação do jovem vereador não tem nada a ver com o facto do seu pai ser líder do partido de que é membro. O edil justifica que foi mesmo pela competência do jovem, uma vez que o mesmo não é novo na gestão da coisa pública.

“Ele [Osvaldo Ossufo Momade] é funcionário do Conselho Municipal [desde que o edil ganhou as eleições intercalares no ano passado] antes do pai ser eleito presidente do partido. É um licenciado e tem suas competências, portanto foi indicado por mim para ocupar o cargo de vereador de Mercados e Feiras [Promoção Económica]'”, disse Vahanle.

O edil entende que as críticas visam desmotivar o trabalho do seu governo municipal e aproveitou, também, para criticar os filhos de dirigentes de outros partidos, sobretudo da Frelimo, que, segundo ele, enriquecem do dia para noite sem nunca terem trabalhado.

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“Nós, na Renamo, aos nossos filhos ensinamos a trabalhar, suar para ganhar o pão. O que é triste e incompreensível é ser filho de um dirigente, comprar edifícios luxuosos no estrangeiro sem terem trabalhado na vida… Esse que é o grande problema”, destacou.

Genro nomeado como vereador

Além do caso de Osvaldo Ossufo Momade, critica-se igualmente Paulo Vahanle por ter nomeado o genro para vereador de Institucional, Desenvolvimento e Cooperação, além de um dos seus filhos para chefe de sector. Vahanle, porém, diz que isso não é verdade.

Alguns analistas consideram que a nomeação de Osvaldo Ossufo Momade não se trata de nepotismo e até estão convencidos da sua competência, uma vez que antes de ascender as funções de vereador já foi, durante um curto tempo de governação de Paulo Vahanle, director de Mercados e Feiras.

“Nesse curto tempo [de governação da Renamo, depois das eleições intercalares] ele mostrou competência. Agora quando ganha novamente eleições e forma o seu governo nomeando o filho de Ossufo Momade como vereador, ele é criticado. Todos os vereadores são filhos de dirigentes? Penso que não, mas sim são membros da Renamo que mostraram competência, isso até porque é bom para evitar ver filhos de dirigentes milionários sem trabalhar no Estado”, avalia o analista Arlindo Murririua, ouvido pela DW África.

Osvaldo Ossufo Momade, recorde-se, antes de entrar para o Conselho Municipal, depois da tomada de posse de Paulo Vahanle a 18 de Abril de 2018, foi membro sénior da Renamo com mais de 25 anos de militância e desempenhara várias funções dentro do partido e da ala juvenil da Renamo em Nampula.

DW

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