A barragem dos Pequenos Libombos só tem água suficiente para abastecer Maputo, Matola e Boane por mais 12 meses. Para minimizar a situação está previsto um acréscimo de mais 55 mil metros cúbicos de água vindos de furos, até Agosto.

Há quase cinco anos que a quantidade de chuva não é suficiente para encher a principal fonte de abastecimento de água da região do grande Maputo. A situação é crítica, de tal forma que os responsáveis pela gestão dos recursos hídricos destacam que se trata da pior seca dos últimos 30 anos.

A albufeira dos Pequenos Libombos está com 82 milhões de metros cúbicos de água dos 400 milhões que deveria ter. Por isso, o abastecimento continuará a ser feito com restrições para que não falte água pelo menos até Fevereiro de 2020.

“No regime actual de restrições nós temos água suficiente para um ano, de hoje para frente. Isto é, conseguimos nos aguentar até a próxima época chuvosa. E esperamos que a próxima época-chuvosa seja boa para que consigamos repor a água que será usada para o abastecimento”, disse o director-geral da Administração Regional de Águas do Sul, Hélio Banze.

As soluções para o problema passam por recorrer a água disponível a na barragem de Corumana.

“A bacia do Incomati onde está a barragem de Corumana será muito brevemente uma fonte de água para a cidade de Maputo. No início da época chuvosa os níveis de água eram de cerca de 380 milhões de metros cúbicos, mas hoje estamos com 323 milhões de metros cúbicos. A escassez vai continuar, mas estamos a monitorar a situação hidrológica e até Março poderemos anunciar as novas medidas”, explicou Banze.

E os furos que já vem sendo uma alternativa serão reforçados para que a água disponível sirva para um pouco mais que um ano.

“Reformulamos as nossas estratégias em termos de infraestruturas por causa do sistema de restrições. Reactivamos as nossas fontes de água subterrâneas. Activamos um total de 22 sistemas, que neste momento estão a funcionar e socorreram principalmente as zonas periféricas. A partir dessa fonte também foi possível abastecer os camiões que absorviam grande parte da água do Umbeluzi”, explicou o director-geral do Fundo de Investimento e Património do Abastecimento de Água, Pedro Paulino.

E a procura por fontes alternativas de abastecimento de água não pára por aí. Aliás, o FIPAG prevê ter disponíveis 55 mil metros cúbicos até Agosto deste ano.

“Foi estudada uma forma de aumentar o recurso da água ainda de fontes subterrâneas onde pudéssemos recuperar um caudal de cerca de 43 mil metros cúbicos por dia. Esse programa prosseguiu. Actualmente temos cerca 12 mil metros cúbicos a serem aduzidos para a rede, através de furos construídos em Intaka. Esta medida produziu resultados bem animadores e queremos continuar a desenvolver infraestruturas que permitam a canalização dessa água para os centros distribuidores para depois estabilizar a sua distribuição em termos normais. Do total de 55 mil metros cúbicos que prevemos até Agosto, 12 mil já estão disponíveis”, disse Paulino

Dados da Administração Regional das Águas do Sul indicam que os consumidores estão ser satisfeitos em apenas 80 por cento, e os agricultores a 15 por cento.

A dessalinização, isto é, o processo de retirada de excesso de sal da água do mar para posterior consumo é um projecto que já está a ser avaliado. Sem avançar prazos para a sua implementação, as autoridades garantem que já estão a mobilizar fundos nos parceiros. Enquanto isso não acontece, deve-se gerir a água racionalmente.

O País