Cinco militares do Comando do Exército e sete cidadãos civis são acusados pelo Gabinete Central de Combate à Corrupção (GCCC) de desvio de pouco mais de 19 milhões de meticais.

O processo correspondente foi aberto na sequência de investigações que se seguiram à eclosão do rombo de 36 milhões de meticais, ocorrido há cerca de dois anos e encabeçado por militares igualmente afectos ao Comando do Exército.

Na sequência deste caso, recorde-se, dois militares considerados mentores da fraude foram julgados e condenados a penas de 16 anos de cadeia e ao pagamento de uma indemnização de 40 milhões de meticais ao Estado.

Outros réus envolvidos no processo, nomeadamente amigos e familiares dos referidos militares, foram condenados a penas que variam entre 10 e 15 anos de prisão.

Segundo dados apurados pelo “Notícias”, os acusados no caso dos 19 milhões agiam de modo similar ao dos seus colegas envolvidos no desvio dos 36 milhões de meticais.

Dos cinco militares acusados, dois estão foragidos da justiça, mas já com mandados de captura emitidos, com realce para Ricardo João Guiquina, na altura processador de salários no Comando do Exército, considerado o mentor de toda a fraude.

Aliás, segundo informações em nosso poder, os dois militares fugitivos já foram declarados desertores das Forças Armadas de Defesa de Moçambique.

Entre os sete civis que respondem neste processo, estão duas mulheres que terão colocado as suas contas bancárias à disposição da rede para facilitar o saque.

O esquema da fraude consistia no depósito de valores em contas de familiares e amigos dos militares que controlavam as finanças no Comando do Exército, como se de funcionários se tratasse. Assim, alguns cúmplices recebiam nas suas contas vários depósitos que chegavam a ultrapassar 100 mil meticais.

Há ainda o registo de folhas salariais que foram pagas em que os nomes são dos militares, mas os números das contas para as quais os valores foram transferidos pertenciam aos seus filhos ou amigos, pessoas alheias às Forças Armadas.

Algumas dessas pessoas que deveriam, por exemplo, receber 10 ou 15 mil meticais de salário, viram transferidos para as suas contas valores empolados, na ordem de 80, 90 até 120 mil meticais.

Nalgumas vezes, os valores destes salários fictícios chegavam aos 250 mil meticais por mês. Depois de o valor ser transferido, os responsáveis financeiros do Comando do Exército procediam à redistribuição dos fundos pelos restantes membros da rede.

Segundo o Jornal Notícia, uma vez acusado, o processo autónomo segue para o Tribunal Judicial da Cidade de Maputo para efeitos de julgamento. Por entender que não há perigo de fuga dos réus, todos respondem ao processo em liberdade.

Folha de Maputo