O Serviço de Investigação Criminal (SERNIC) constituiu 10 arguidos, entre eles membros seniores do MDM, no âmbito das investigações sobre o assassinato do edil de Nampula, Mahamudo Amurane.

O Serviço Nacional de Investigação Criminal remeteu esta quarta-feira à Procuradoria Provincial de Nampula o processo relativo ao assassinato do antigo edil de autarquia de Nampula, após concluir todas as diligências que se impunham. De acordo com a SERNIC, as conclusões remetem a desentendimentos intrapartidários.

“Ainda que de forma preliminar apurámos elementos que indiciam o envolvimento de membros, incluindo quadros seniores do MDM, em número de 10 que foram constituídos arguidos. O processo foi remetido a procuradoria provincial de Nampula para competentes termos processuais que podem levar a acusação ou a abstenção”, disse Leonardo Simbine Chefe do Departamento das Relações Publicas do SERNIC.

Simbine escusou-se de revelar os nomes dos arguidos alegando a necessidade da salvaguarda da presunção de inocência e acrescentou que agora o processo entrava na fase de instrução preparatória. Contudo disse não ter dúvidas de que os elementos recolhidos são bastantes para a indiciação dos membros do MDM

“Alguns membros do MDM manifestaram-se publicamente, declarando a intenção de retirar o Edil de Nampula a força, algo que desencadeou forte desentendimento dentro daquela formação política”, explicou.

Simbine disse ainda que, no contexto desses desentendimentos, foram proferidas ameaças contra a integridade física do malogrado.

“A linha de investigação não ignorou este cenário de desavenças e ameaças protagonizadas por elementos do MDM”, reiterou.

Na próxima quinta-feira passa um ano após o assassinato de Mahamudo Amurane. Questionado sobre o porquê de só agora e em plena campanha eleitoral para as autárquicas o SERNIC se pronunciar sobre o caso, Leonardo Simbine, defendeu que era necessário separar a actividade dos políticos da investigação criminal e alegou a complexidade do caso para os resultados da investigação serem só agora conhecidos. Disse igualmente que o facto de se estar em campanha eleitoral era apenas uma simples coincidência

Nenhum dos indiciados está detido, mas já foram todos formalmente notificados.

O País