O posicionamento foi expresso recentemente nos povoados de Chipindaumué e Nhamaturi, no distrito de Gondola, em Manica. A população queixa-se dos problemas decorrentes das actividades realizadas pela Portucel, destacando-se a perda de culturas nos campos agrícolas, usurpação de terras, falta de indemnizações entre outros aspectos.

No seio das comunidades receia-se o pior, pelo que, os residentes locais exigem a paralisação das actividades daquela firma de capitais lusos. Estas reivindicações são antigas, em Dezembro de 2017, o problema foi colocado na mesa.

Na altura, a direcção desta empresa terá prometido resolver o assunto, segundo a Acção Académica para o Desenvolvimento das Comunidades Rurais (ADECRU), que está a seguir o caso.

ADECRU diz ter ouvido alguns líderes daqueles povoados de Gondola, que acusam a liderança comunitária de tomar decisões sem prévia consulta às comunidades.

A título de exemplo, na comunidade de Chipindaumué, fala-se de o líder comunitário local ter submetido à secretária da localidade uma suposta lista de pessoas que pediam emprego a Portucel, uma informação que não era do conhecimento das comunidades.

“Nós nem sabíamos que o líder submeteu um documento de pedido de emprego a Portucel em nome da comunidade. O que sabemos é que não tomamos conhecimento de algum encontro onde terá resultado na produção de uma lista de emprego,” denunciou Mugabe Augusto.

Reagindo as acusações, Adelino Albino – líder comunitário de Chipindaumué revelou que a suposta lista resultou de um encontro realizado em Nhamacoa com a comunidade a qual, na ocasião, pediu emprego.

“Embora eu não tivesse participado no encontro, o líder de Nhamacoa disse-me que houve encontro e a comunidade pedia emprego pelo que fizeram uma lista”, defendeu-se Mugabe Augusto.

As comunidades voltaram a ter mais uma ronda de conversações há uma semana, com os líderes comunitários e a direcção da Portucel na qual a população mais uma vez negou a presença da empresa ao passo que os trabalhadores sazonais desta firma manifestaram seu interesse de ver a empresa a operar a fim de ter emprego.

No entanto, segundo um responsável da empresa Portucel, Costa Fernando Chicote, as comunidades manifestaram seu interesse de ver esta firma a operar com vista a conseguir emprego apesar de algumas vozes contra.

“Os membros da ADECRU estavam a desencorajar a população para negar a empresa Portucel alegando que não havia terras, mas se esta organização estivesse a oferecer emprego seria bom”, defendeu Costa.

Dado a este impasse, a chefe de localidade está agendar para breve mais um outro encontro com a população e a direcção da Portucel para discutir não só os diferendos existentes mas também a autenticidade da suposta lista de pedido de emprego.

O País