Pouco mais de quatro mil alunos da Escola Secundaria de Chinhamapere, no distrito de Manica, província do mesmo nome, poderão ver o seu aproveitamento pedagógico comprometido no presente ano lectivo.

O facto deve-se à paralisação constante de aulas, tanto no curso diurno como nocturno, uma situação que tem estado a ser provocada pela ‘manifestação de espíritos’ por parte de alunas, que chegam a espancar docentes e colegas, além de vandalizar bens.

São várias alunas que até então ficaram ‘possuídas de espíritos sobrenaturais’. Aliás, “O País” testemunhou na manhã desta segunda-feira, momentos em que estas passavam por delírios, quer naquele estabelecimento de ensino, assim como nas ruas da cidade de Manica.

Os pais e encarregados de Educação, que acorreram ao local para ver in loco a situação, dizem ser urgente a busca de soluções para acabar com o fenómeno.

“O próprio conselho de Escola, a Direcção, os professores, devemos nos unir para procurarmos alguma solução, isso já não está a dar, desde o dia 1 de Junho que as nossas filhas passam mal e por medo, algumas deixaram de frequentar a escola e outras foram transferidas para outros estabelecimentos de ensino”, disse Francisco Niquice, líder comunitário da zona de Macequece.

Luísa Luís, uma das encarregadas de educação, revelou que a sua filha tem estado, sistematicamente a ser possuída pelos demónios, e desde o dia 6 de Junho viu-se obrigada a interromper a décima classe que frequentava na Escola Secundária de Chinhamapere.

Quiven Tendai é professor naquela escola e diz que devido à paralisação de aulas, os docentes terão que redobrar esforços para recuperação das aulas perdidas.

Educação diz que vai se render aos espíritos sobrenaturais

O sector de Educação, no distrito de Manica, mostra-se preocupado com o fenómeno e diz que já está a trabalhar com a comunidade escolar, para, com maior brevidade, chamar as lideranças tradicionais que deverão sugerir como se pode colocar término a situação.

O Director do Serviço Distrital de Educação, Juventude e Tecnologia referiu que está a par da situação, negando que as aulas estejam a ser interrompidas devido a manifestação de espíritos que privilegiam alunas da Escola Secundária de Chinhamapere.

Questionamos Cadeira Draiva, o que os espíritos têm estado a dizer, tendo este respondido que “estão sempre a mudar. Num dia dizem que foram trazidos de Zimbabwe para a escola, noutro dia dizem que destruímos a casa deles, e meia-volta referem que foram pagos para paralisar aulas na escola”.

Refira-se que os pais e encarregados de educação reuniram, esta segunda-feira, com a direcção da Escola, para encontrarem soluções visando travar a situação, e o “O País” sabe que uma das saídas encontradas passa pela contribuição de um valor monetário que será usado para custear o ritual que deverá colocar ponto final aos demónios em Chinhamapere.

O País