Terminou o recenseamento eleitoral em Moçambique. Autoridades falam numa adesão de 80% em todo o país, mas Renamo pede prolongamento do processo. Na província do Niassa, houve uma fraca afluência dos eleitores.

Assane Saíde só se recenseou no último dia. O residente de Lichinga, no norte de Moçambique, conta que não teve tempo antes. A poucas horas do fecho dos postos de recenseamento, decidiu pôr tudo de lado para se ir registar.

“Achei melhor correr e não perder esse recenseamento. Tenho que fazer tudo o possível para me poder recensear. Assim, paralisei tudo”, afirma em entrevista à DW África.

Como Saíde, outros eleitores na província do Niassa só se foram recensear à última hora. A eleitora Rosalina Faustino também se foi recensear no último dia. Já tinha tentado antes, só que, cada vez que ia ao posto de recenseamento, havia sempre muita gente à espera. No último dia do recenseamento para as eleições autárquicas de 10 de Outubro, encontrou novamente “confusão”.

“A organização está mais ou menos. Há pessoas que vêm e entram e nós chegámos aqui às sete horas e estamos aqui até agora”, disse.

Em geral, fraca afluência

Há muita gente que ficou por registar no Niassa, segundo o Secretariado Técnico da Administração Eleitoral (STAE).

Na província, o recenseamento decorreu nas cinco autarquias: Lichinga, Cuamba, Lago, Mandimba e Marrupa. Até 16 de maio, as autoridades conseguiram registar 330.500 eleitores de uma projecção de 568.293 potenciais eleitores na província.

Ainda assim, o STAE no Niassa faz, em geral, um balanço positivo do processo – com uma excepção: o recenseamento na autarquia de Mandimba.

“Na área rural, o recenseamento não teve um desempenho desejado e nós, como órgãos eleitorais na província, estamos preocupados com isso. Já estamos a fazer os termos de referência para brevemente fazermos um estudo no sentido de encontramos algumas soluções”, frisou Benedito Alberto, diretor provincial do STAE no Niassa em entrevista à DW África.

Renamo pede prolongamento

O analista político Sarmento Bacelar lamenta a fraca afluência ao recenseamento: “Isso demonstra que o cidadão, o próprio eleitor, não conhece a importância do processo eleitoral. Porque, se soubesse da importância, aderiria a este processo logo desde o primeiro dia.”

O maior partido da oposição, a Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), critica, no entanto, a forma como decorreu o recenseamento. Para João Muchane, delegado político da Renamo no distrito de Cuamba, a má organização contribuiu para a fraca afluência.

“Em alguns postos, não houve afluência de eleitores por causa de morosidades. Assim, no momento em que não conseguimos atingir a meta, algo estranho existiu. O que estamos a pedir é a prorrogação do processo, para cumprirmos a meta”, afirma.

Segundo o STAE, os últimos dados indicavam o registo de 80% dos potenciais eleitores a nível nacional.

O Centro de Integridade Pública (CIP) disse, por sua vez, que a Comissão Nacional de Eleições (CNE) “pode atingir 90% de potenciais eleitores recenseados, mas somente porque cortou as metas de total de eleitores a registar por três vezes”.

DW