A economista-chefe do Banco Mundial em Maputo aconselha o Governo a reestruturar a sua dívida o mais depressa possível, para clarificar a situação macroeconómica do país.

A economista-chefe do Banco Mundial em Maputo, Shireen Mahdi, aconselha o Governo moçambicano a reestruturar a sua dívida o mais depressa possível, para clarificar a situação macroeconómica do país e voltar a ter um crescimento robusto.

“O Governo de Moçambique lançou um processo de reestruturação com os credores e isso é um processo importante que estamos a observar”, referiu à agência Lusa.

A receita sugerida pelo Banco Mundial consiste em obter resultados “quanto mais cedo, melhor”.

“O conselho que damos é de reduzir a incerteza no cenário económico e quanto mais tempo estas discussões decorrerem, mais incerteza vai haver na economia”, acrescentou Shireen Mahdi.

“Certamente que clarificar o ‘stock’ de dívida e das perspectivas de Moçambique seria critico para restaurar a estabilidade macroeconómica” de que o país precisa para ter um crescimento mais robusto, refere o Banco Mundial, preocupado com a dependência do sector extractivo.

Em causa está um acordo com os credores da dívida soberana de 727,5 milhões de dólares lançada em Abril de 2016 e que Moçambique deixou de remunerar, bem como com os credores dos cerca de 1,4 mil milhões de dólares em empréstimos à Proinidicus e à Mozambique Asset Management.

São cerca de dois mil milhões de dólares de dívidas ocultas contraídas por três empresas do Estado em 2013 e 2014, com base em garantias estatais obtidas à margem da lei, sem conhecimento do parlamento, nem dos parceiros internacionais.

O destino do dinheiro está por averiguar e as empresas públicas alegam segredo de Estado para não revelar informações, o que faz com que parte dos apoios internacionais ao país continuam bloqueados.

“A resolução da situação de dívida seria benéfica para Moçambique”, resume Shireen Mahdi.

No que respeita ao Banco Mundial, a instituição suspendeu o apoio directo ao Orçamento de Estado na sequência do escândalo financeiro, “mas essa é apenas uma fatia” da ajuda total a Moçambique.

“A grosso dos apoios manteve-se” e é dirigido a iniciativas ligadas a infraestruturas, agricultura e outros serviços, referiu.

A estabilização da situação macroeconómica é importante numa altura em que “as taxas de juro são muito altas para os negócios”, ou seja, pedir dinheiro emprestado aos bancos está fora do alcance das pequenas e médias empresas.

“Agora que a inflação reduziu, talvez seja altura de a política monetária ser aliviada. Mas para isso precisamos de políticas fiscais mais rígidas e fortes para controlar as despesas públicas e para melhorar a eficiência de despesas sociais e de investimento em infraestruturas chave para o crescimento”, concluiu Shireen Mahdi.

Observador