Sociedade Segurança Luto e destruição no centro e norte

Luto e destruição no centro e norte

As chuvas que desde finais do ano passado caiem um pouco por todo o país começam a pintar um quadro de luto e destruição em várias províncias, de onde nos chegam relatos sobre mortes e destruição.

Culturas alimentares e infra-estruturas de utilidade pública como estradas, escolas e hospitais contam-se entre o que já foi destruído pelas chuvas. A degradação das condições ambientais, sobretudo nos centros urbanos, é outra inquietação que se junta ao rol de problemas que ficam por resolver.

Catorze mortes em Nampula

Catorze pessoas morreram na província de Nampula em consequência das chuvas que se registam desde o mês de Novembro um pouco por toda aquela região do norte do país.

Segundo dados fornecidos ontem aos órgãos de comunicação social pelo delegado provincial do Instituto Nacional de Gestão das Calamidades (INGC), Virgínia Malawene, assegurou estar em curso um trabalho de monitoria da situação em todos os distritos, sobretudo naqueles em que a chuva já cai com intensidade requerendo cuidados especiais.

Daquele número, 10 morreram atingidas por descargas atmosféricas nos distritos de Eráti, Mogovolas e Moma. As restantes quatro perderam a vida em consequência do desabamento de paredes de uma casa e escola no distrito de Monapo e cidade de Nampula, respectivamente.

Três das vítimas atingidas pela parede são alunos de 14 anos idade, dois dos quais de sexo feminino, que haviam se deslocado à Escola Primária e Completa de Nampoco, onde estudavam, localizada no bairro de Namuqueliua, na capital provincial, a fim de consultar as pautas dos resultados fixadas nas paredes desabadas.

A delegada do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades em Nampula disse que apesar de terem sido registadas aquelas mortes e a chuva a cair com intensidade um pouco por toda a província nos últimos dias, Nampula ainda não está numa situação de emergência.

“O que está a acontecer agora é uma situação normal. O que é preocupante neste momento é que as chuvas caiem acompanhadas de trovoadas, numa região em que as casas são predominantemente construídas de material precário”, afirmou Malawene.

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Segundo a fonte, no plano de contingência para Nampula, concretamente no cenário III, que inclui ciclones e outras situações calamitosas, prevê que no presente ano nesta província pouco mais de 200 mil pessoas poderão ficar afectadas, principalmente nos distritos da zona costeira, como Memba, Nacala-à-Velha, Nacala Porto, Angoche, Mogincual, Moma, Mossuril e Ilha de Moçambique, sendo, por isso, que medidas de prevenção dos riscos estejam a ser implementadas, com destaque para a sensibilização das pessoas.

Surto de diarreia em Sofala

Casos de diarreias estão já a registar-se no distrito de Machanga, onde crocodilos também começam a fazer vítimas. Em outras regiões de Sofala, concretamente Búzi e Nhamatanda, um número ainda não especificado de pessoas está isolado em consequência das chuvas que continuam a fustigar esta parte do centro do país.

A administradora de Machanga, a sul de Sofala, Ana Matiquite, explicou que o surto de diarreias se deve à degradação das condições de saneamento básico. Para evitar o pior, o sector da Saúde iniciou ontem a distribuição de cloro para a purificação da água que as comunidades consomem.

Uma outra situação, segundo a administradora, está relacionada com a presença de crocodilos arrastados pelas águas do rio Save da zona de Djavane para os arredores da vila. No bairro Beiapeia, por exemplo, uma criança foi atacada por um crocodilo, tendo contraído graves ferimentos.

Também naquela zona de Sofala, as autoridades receiam que as chuvas intensas venham a provocar ruptura de “stocks” de medicamentos no posto administrativo de Divinhe que se encontra incomunicável com a vila-sede desde a semana passada.

Já no Búzi, pelo menos dez casas e os respectivos moradores se encontram sitiados desde esta terça-feira devido à subida do caudal do rio Búzi, no distrito do mesmo nome, concretamente na localidade de Nhamaguena, em Bândua.

Até ontem, entretanto, não se sabia ao certo quantas pessoas eventualmente se encontrariam em risco de vida, mas o Governo, através do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC), afirma estar a monitorar a situação de forma permanente e contínua.

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