Há gente mal intencionada ligada ao mundo de negócios que está a manipular a “média” sul-africana, para desencorajar os turistas daquele país que, tradicionalmente, têm como destino para os seus momentos de lazer as praias moçambicanas, tirando proveito do actual clima de instabilidade instalado nalguns pontos da região central do nosso país.

Este sentimento foi manifestado ao nosso Jornal, por Rogério Gomes, representante da CTA, em Gaza, e presidente local do Conselho Empresarial Provincial, que nos disse haver uma tentativa, no seio de alguns homens de negócios daquele país, que deliberadamente procuram mostrar ao mundo, que está instalado o caos em Moçambique.

Rogerio-Gomes-representante-da-CTA

“Os ataques na região de Muxúnguè, estão a ser aproveitados por algumas pessoas na África do Sul para inculcar nas mentes dos turistas que habitualmente nos visitam, que reina um ambiente de terror. Contudo, localmente, tudo temos estado a fazer para que essa imagem seja mudada, porque isso está a afectar os nossos negócios. Convidamos a Imprensa sul-africana para que venha viver e reportar a nossa realidade. No entanto, esta nossa vontade não foi correspondida positivamente pelos jornalistas sul-africanos”, disse Rogério Gomes.

Segundo a nossa fonte, tudo isto acontece numa altura em que o turismo, particularmente em Gaza, tem estado, nos últimos dois anos, a conhecer avanços significativos, pese embora os ataques armados, em Muxúnguè, estarem já a provocar enormes constrangimentos na actividade dos operadores turísticos na província e não só.

“Com efeito, a situação prevalecente em Muxúnguè, está a ser aproveitada, particularmente pela “média” sul-africana, para desencorajar a vinda de turistas ao nosso país, o que favorece, naturalmente, aos operadores turísticos da África do Sul, tudo isto numa perspectiva de reter, no seu país, as receitas que deveriam beneficiar Moçambique em troca da actividade turística por nós prestada, particularmente nesta fase da quadra festiva que se aproxima”, lamentou a nossa fonte.

Ainda de acordo com o presidente do Conselho Empresarial Provincial em Gaza, a desinformação sobre a situação no país atingiu tal nível que, na perspectiva de convencer os seus concidadãos a não viajar para Moçambique, alguma imprensa local, tem estado a passar imagens de manifestações violentas ocorridas em Maputo, em Fevereiro do ano passado, com o intuito de ludibriar a opinião pública sobre um pretenso ambiente de caos que se estaria a viver em todo o país.

Como reflexo disso, segundo o nosso entrevistado, os complexos turísticos de Gaza, têm vindo a ser insistentemente confrontados com pedidos de cancelamento de reservas nas diversas unidades por parte de cidadãos sul-africanos, que constituem para o turismo nacional, uma importante fonte de receitas.

Conforme nos confidenciou Rogério Gomes, o que consola, de certo modo, a classe empresarial local é que ano após ano, se tem notado um crescimento considerável da demanda de moçambicanos com hábito de fazer turismo, uma cifra que já consegue atingir 45 por cento dos frequentadores de estâncias turísticas em Gaza.

“Estamos esperançados que esta tendência continue a evoluir para continuarmos a contar com os moçambicanos porque, felizmente, desde 2010 a esta parte, se nota uma subida substancial do número de moçambicanos a fazer turismo”, disse acrescentando que “continuaremos, entretanto, a fazer tudo para que as reservas feitas pelos estrangeiros para a quadra festiva se mantenham, porque nós não queremos admitir que teremos desistências”.

MAIS OPÇÕES PARA O TURISMO

Reflexões feitas pelo governo de Gaza, apontam para a necessidade do sector do turismo, caminhar para a busca de mais alternativas para que esta actividade de lazer seja acessível a mais moçambicanos, através da oferta de produtos e serviços a preços acessíveis para a maioria da população, para além de se capitalizar a relação intrínseca entre o património histórico-cultural com o desenvolvimento da indústria turística.

Zonas como Nwadjahane, Chilembene, Chaimite, Coolela, Magul, entre outras denominadas património histórico-cultural, fazem de Gaza, um privilegiado local de atracção turística por excelência.

Os referidos locais históricos devem, na óptica do executivo de Gaza, constituir importantes fontes de captação de receitas para a sua manutenção e benefício para as respectivas comunidades, havendo para tal necessidade de todos os actores ligados ao turismo se assumirem como verdadeiros defensores desta iniciativa.