Sociedade Segurança Muxúnguè tenso mas sem incidentes

Muxúnguè tenso mas sem incidentes

A situação em Muxúnguè, distrito de Chibabava, província de Sofala, mantém-se tensa, embora sem registo de novos incidentes desde os ataques a civis na última sexta-feira protagonizados por homens armados da Renamo. A circulação de pessoas e bens entre o rio Save e aquela localidade está a ser feita sob escolta policial e militar, como medida de segurança.

Na sequência deste facto, segundo constatou a nossa Reportagem, centenas de pessoas estão a ser forçadas a permanecer na sede do posto administrativo de Muxúnguè aguardando pela oportunidade de prosseguir viagem quer para o sul quer para o norte do país. A par disso, um elevado número de camiões carregados de mercadoria diversa, viaturas particulares, autocarros e mini-“buses” de transporte de passageiros formam grandes filas que chegam a atingir entre um e dois quilómetros à esperam da sua oportunidade de passar, uma vez que a circulação só é feita no período diurno, ou seja, depois das 17.00 horas já não se pode andar.

A situação atinge níveis de algum drama porque, naturalmente, nem todos possuem condições para pagar ou alugar algum quarto nas pensões ali existentes nem mesmo para passar alguma refeição nas casas de pasto que ali também funcionam.

Conforme testemunhámos, nos troços Muxúnguè-rio Save e vice-versa a vida em alguns povoados não está a ter a vitalidade que vinha tendo, pois praticamente os camponeses deixaram de aparecer ao longo da estrada para, entre outras actividades, comercializar o ananás e a castanha de caju, que são os potenciais produtos daquela zona.

Este é também o testemunho de Catarina Ernesto, uma cidadã por nós ouvida, natural de Inhambane e residente em Chibavava: “a vida mudou tanto aqui em Muxúnguè como ao longo de algumas regiões do interior até ao rio Save, porque as pessoas estão com medo desde o anúncio da paralisação da vida, o que foi confirmado com os ataques da passada sexta-feira”.

Entretanto, Mónica Malate, uma das vítimas do ataque de sexta-feira, contou-nos que viveu momentos de verdadeira incerteza quando na fatídica manhã ficou ferida na testa por uma bala disparada por homens da Renamo. Disse que escapou por pouco, pois depois de terem furado os pneus da camioneta em que seguia esta despistou-se, tendo parado quando embateu numa árvore, ao que se seguiu uma perseguição aos ocupantes da camioneta. “Graças a Deus não conseguiram alcançar-nos porque estávamos escondidos numa mata até que fomos socorridos por um camião para Muxúnguè”.

António Almejado, motorista de longo curso, disse, por seu turno, que estava habituado a não ter paragens forçadas como a que se verifica em Muxúnguè. Por isso, segundo ele, o tempo de espera naquele ponto para ligar a região sul constitui uma perda, pois o tempo seria de andar e entregar a mercadoria ao destinatário.

João Almeida, residente em Tete e que estava em trânsito para Gaza, onde tem interesses económicos, lamentou a situação, realçando que tal representa um retrocesso na economia do país.

Jornal Notícias

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