Este dispositivo é defendido por religiosos abordados pela nossa fonte, a propósito da situação política vigente no país, caracterizada por discursos incendiários da liderança da Renamo e por movimentações de militantes e simpatizantes desta formação política em quase todas sedes do partido, o que é entendido pela Polícia como concorrendo para a perturbação da ordem e tranquilidade públicas. Os nossos entrevistados apelam aos políticos para que não percam a oportunidade de diálogo e se empenhem cada vez mais na preservação da paz, da reconciliação, da concórdia e da harmonia, contribuindo assim para o desenvolvimento de Moçambique. Os apelos são extensivos à população para que continue a trabalhar no sentido de garantir o sustento da sua vida.

Esta semana, por exemplo, a Polícia teve de intervir para dispersar um grupo de ex-militares da Renamo, “aquartelados” na sua sede na vila de Gondola, concentração tida como atentatória à ordem e tranquilidade da população. Os homens reuniam-se diariamente debaixo de uma árvore frondosa e o lugar não possuía mínimas condições de salubridade.

Para o Pastor Marcos Macamo, do Conselho Cristão de Moçambique (CCM) em Moçambique, não há espaço para a eclosão de um novo conflito armado, sendo que se torna necessário gerir os problemas que eventualmente possam surgir em prol da preservação da paz, da unidade nacional, da reconciliação entre os homens.

Face ao cenário político vigente no país: Religiosos apelam à paz

“Tudo o que possa perigar a paz deve ser rejeitado. Vimos de uma longa trajectória, a trajectória da busca da paz que dura há 20 anos. E o momento que atravessamos é de harmonia social”, disse o pastor, acrescentando que “não há ninguém em Moçambique que não queira a paz”, sublinhou.

O líder religioso afirmou ainda que os moçambicanos devem erguer as suas vozes clamando pela paz em primeiro lugar, paz em segundo lugar e paz em terceiro e paz em último lugar.

Esta mensagem, referiu o pastor, deve ser espalhada em todas as igrejas, lá onde estão presentes os dirigentes do país e os que estão na oposição.

“São nossos irmãos na igreja e devem beber do desejo de manutenção da paz”, salientou.