Esta posição é assumida numa altura em que a Comissão dos Desmobilizados acaba de operar profundas mudanças na sua estrutura directiva, elegendo Banito Carolina para o cargo de presidente, em substituição de Evaristo Wanela, cujo mandato chegou ao fim.

Em assembleia geral realizada em finais de Fevereiro, na cidade de Maputo, foram igualmente eleitos para o elenco directivo Zeca Equibal Nda para o cargo de vice-presidente; Agostinho Múrias, relator, e Anselmo Mueleia, porta-voz.

Apesar de se distanciar das manifestações, sob a alegação de que as mesmas ocorrem à margem das estratégias desenhadas para o alcance dos objectivos pretendidos, a Comissão dos Desmobilizados condena o recurso à força policial para dispersar os manifestantes, justificando que tal pode degenerar em confronto sem precedente entre as partes e com consequências trágicas, nomeadamente mortes, destruição de infra-estruturas económicas e sociais e, em última análise, pondo em causa a paz duramente conquistada.

Neste sentido, a Comissão dos Desmobilizados apela aos manifestantes a se juntarem à causa comum que passa pelo diálogo com o Governo para a satisfação das suas exigências.

Comissão dos Desmobilizados distancia-se das manifestações

“A recente aprovação do Estatuto do Combatente e do respectivo regulamento são algumas das conquistas dos desmobilizados de guerra. Isso resulta do diálogo e do entendimento com o Governo.

Porque as nossas exigências não estão completamente satisfeitas achamos que devemos continuar a dialogar em busca de soluções aceitáveis para as partes. Não precisamos de marchar porque não estão esgotadas as vias do diálogo”, explicou ao “Notícias” o porta-voz da comissão, secundado pelos restantes membros do elenco directivo.

Na ocasião, a comissão exibiu-nos um documento submetido ao Ministério das Combatentes, relativo ao conjunto de actividades que a mesma pretende realizar com vista à satisfação de parte das exigências dos desmobilizados. Das actividades previstas constam a criação de uma base de dados com informações sobre os desmobilizados de guerra em todo o país; elaboração de projectos para a integração dos desmobilizados, elaboração de estratégias de comunicação e disseminação dos projectos, entre outras.

O novo elenco directivo assume que, entregue o documento, o Ministério dos Combatentes saberá, em tempo oportuno, respondê-lo, tendo em conta que no funcionalismo público há normas e procedimentos a seguir em casos de género.