
É que o humilde e pobre bairro Polana Caniço “A” e a magestosa e luxuosa Sommerschield II são duas realidades opostas que, cada dia que passa, se aproximam e disputam o mesmo espaço.
Com a sua expansão, aliada ao poder económico, os residentes na Sommerschield II e outros aspirantes àquele bairro estão a comprar as casas do bairro polana caniço “A”, sendo que este está literalmente a ser engolido.
Os moradores recebem, quase todos os dias, propostas irrecusáveis para abandonar as suas residências, nas quais moram há pelo menos 20 anos.
“Como estão a ver, o bairro Polana Caniço já está a desaparecer. Todos os dias vemos casas a serem construídas e, mesmo esta semana, o meu vizinho de lado vendeu a sua casa”, disse Dário Dundula, morador da zona, acrescentando que, “quando chegam, dizem simplesmente que querem fazer casas melhores e tu tens de sair de cá”.
Só na rua, próximo do desvio para a escola portuguesa, oito residências foram vendidas, cinco das quais para o mesmo cliente. Porém, algumas propostas não agradaram os residentes, por isso continuam à espera de um provável comprador.
“Já vieram várias vezes pedir para eu vender a minha casa, mas não gostei das propostas, por isso que preferi não vender a minha casa, senão ia pôr a minha família em perigo”, afirmou um morador do bairro.
Entretanto, há quem recusa vender a sua propriedade, chegando a correr o risco de ver sua casa virar uma ilha rodeada de mansões. João Muchanga e sua família são o exemplo vivo disso.
Este diz não lhe interessar sair da zona, porque acredita que um dos seus filhos poderá erguer uma casa luxuosa para si.
“Eu sou moçambicano e tenho a certeza que sou capaz. Agora estou a trabalhar e levo meus filhos para a escola e sei que, um dia, eles vão construir uma casa rés-do-chão, primeiro andar, por isso não saio daqui”, disse o chefe da família.
Tal como na Polana Caniço, a construção de residências de luxo e de estabelecimentos comerciais está a levar diversas famílias a vender suas casas ao longo da avenida Joaquim Chissano e Acordos de Lusaka.












