Devido à crescente redução do preço de comercialização da castanha de caju em bruto nos mercados nacional e estrangeiro, a maioria dos produtores deste produto tradicional nas exportações está a colocá-lo no mercado informal.
A queda dos preços é reflexo dos resultados negativos da crise financeira internacional e da dívida soberana da Zona Euro, “levando a que os países mais afectados pelas mesmas crises tenham de adquirir a castanha moçambicana a preços mais baixos”, segundo Filomena Maiopué, directora do Instituto de Fomento de Caju (INCAJU).
Maiopué, segundo o Correio da manhã, indicou que as crises estão também a contribuir na diminuição das exportações da castanha em bruto, tendo na campanha de apanha 2011/2012 sido no volume de 73 mil toneladas, “nível muito baixo para as potencialidades produtivas do país”.
Por seu turno, os operadores formais do sector reduziram os níveis de compra da castanha junto dos produtores, “na esperança de que os seus preços voltassem a recuperar, o que não se verifica até ao momento”, explicou a directora do INCAJU falando ainda ao Cm.

Recuperação
Moçambique já foi um dos maiores produtores mundiais de castanha de caju, tendo atingido nos anos 70 do passado século 20 o volume de produção anual de cerca de 200 mil toneladas, contra as actuais cerca de 100 mil toneladas/ano.
O INCAJU projecta para, a partir de 2015, o país voltar para níveis de produção de 200 mil toneladas/ano, estando em curso acções da intensificação da produção e distribuição de mudas e identificação de clones que respondam positivamente a diferentes sistemas de produção.
A disseminação de práticas agronómicas melhoradas para o maneio do cajueiro nos diferentes sistemas produtivos, bem como o desenvolvimento de trabalhos de investigação e extensão da cultura do caju por mais regiões do país constam do lote de outras actividades em curso visando a reposição e expansão do parque cajuícola moçambicano ao longo dos próximos anos.