O Governo de Moçambique anunciou o lançamento da Escola de Saúde Pública (ESP), uma iniciativa destinada a converter conhecimento científico em soluções práticas para as comunidades.
Este novo marco visa enfrentar os desafios contemporâneos e futuros do Sistema Nacional de Saúde (SNS) através de formação especializada, investigação e inovação.
Durante a cerimónia de lançamento, a Primeira-Ministra, Maria Benvinda Delfina Levi, enfatizou a importância de uma força de trabalho técnica e cientificamente capacitada para uma resposta eficaz aos problemas de saúde pública. “Exige-se a criação de profissionais permanentemente actualizados, com habilidades para analisar evidências e liderar equipas, transformando conhecimento em soluções concretas”, afirmou.
Levi destacou que a Escola representa um avanço significativo para Moçambique, configurando-se como uma estratégia no desenvolvimento do capital humano num contexto de profundas mudanças no perfil das doenças, dinâmica populacional e evolução tecnológica no sector da saúde.
A Primeira-Ministra relatou que o país atravessa uma rápida transição epidemiológica, marcada pelo aumento das doenças crónicas não transmissíveis e do trauma, ao mesmo tempo que persistem os desafios impostos pelas doenças infecciosas. Este panorama requer uma capacidade superior de previsão, planeamento e resposta, e profissionais bem preparados para interpretar realidades complexas.
Com a missão de acelerar a formação de profissionais de saúde em diversas áreas, a Escola de Saúde Pública irá colaborar com instituições de ensino superior tanto nacionais quanto internacionais. A oferta incluirá cursos de curta duração, programas de mestrado e doutoramento em áreas estratégicas como Sistemas de Saúde, Saúde Digital, Economia de Saúde, Clima e Saúde, e Educação Profissional em Saúde.
Maria Levi enfatizou ainda a importância da transformação digital na saúde, frisando que a Escola disporá de laboratórios e equipamentos digitais que permitirão a formação virtual e alcançar profissionais em várias regiões do país. Segundo a Primeira-Ministra, “a transformação digital deve aproximar os serviços dos cidadãos e não criar novas barreiras”.
A nova instituição almeja ser um centro de excelência em investigação, debate e inovação, onde o conhecimento produzido ajude a resolver problemas reais e melhore a qualidade de vida dos moçambicanos. “Pretendemos que este seja um espaço onde o conhecimento se traduza em melhorias tangíveis para a população”, disse.
Levi sublinhou igualmente que este reconhecimento é um motivo de orgulho para Moçambique e reforça a responsabilidade do país em garantir formação de qualidade, contribuindo assim para o fortalecimento dos sistemas de saúde nos países africanos de língua portuguesa.
O papel da cooperação internacional na concretização da Escola foi igualmente reconhecido, com destaque para o apoio do Governo brasileiro e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), além das contribuições de diversas organizações internacionais como as Nações Unidas e o Banco Mundial.
A criação da Escola de Saúde Pública ilustra que “uma visão clara, acompanhada de parcerias e perseverança, pode resultar em instituições ao serviço do país”.















