As centrais de Cuamba e Mocuba, situadas nas províncias de Niassa e Zambézia, estão a contribuir de forma significativa para a redução das perdas de transmissão da Empresa Electricidade de Moçambique (EDM).
Este avanço deve-se à proximidade da produção de energia às zonas de consumo, diminuindo a necessidade de transporte a longas distâncias.
Samir Salé, Director Executivo da GLOBELEC em Moçambique, fez estas considerações em entrevista à AIM, sublinhando o impacto positivo destas infra-estruturas na segurança energética da região norte. “A EDM, ao contar com aquela central, consegue reduzir as perdas de transmissão devido à menor distância,” afirmou.
No que diz respeito à central de Mocuba, Samir Salé explicou que a sua localização diminui a necessidade de transporte de electricidade a partir das centrais localizadas na zona centro de Moçambique. Desde 2019, as centrais de Cuamba e Mocuba têm estado em operação, tendo sido adquiridas pela GLOBELEC em Dezembro de 2023. Juntas, injectam actualmente 48 megawatts na rede nacional, sendo 15 MW provenientes da central de Cuamba e 33 MW da de Mocuba.
O impacto das centrais vai além da produção de energia, segundo Salé. A posição estratégica em que se encontram ajuda a aliviar a pressão sobre as linhas de transporte, que historicamente dependiam da energia produzida em Cahora Bassa e na região de Nacala, na província de Nampula.
A central de Cuamba, no Niassa, representa uma transformação estrutural na distribuição eléctrica. Anteriormente, a energia percorria longas distâncias até chegar aos consumidores, aumentando as perdas durante o transporte. “A EDM diminui as perdas de transmissão pela proximidade destas duas centrais,” frisou o Director Executivo.
A situação em Mocuba é semelhante, com a produção local a reduzir a dependência da energia a ser transportada a partir do corredor central. Isso resulta numa diminuição dos custos operacionais associados às perdas na rede. “A necessidade de transportar electricidade de grandes distâncias é reduzida, assim como as perdas ao nível da EDM,” completou Salé.
Além das operações das centrais, a GLOBELEC está a preparar um novo investimento no sector das energias renováveis: a central eólica de Namaacha, com uma capacidade de 120 MW, em parceria com a EDM e a empresa moçambicana Source Energia. O empreendimento deverá alcançar o fecho financeiro antes do final deste ano, com as obras a serem iniciadas em 2027, num investimento global estimado em cerca de 260 milhões de dólares.
“Estamos a desenvolver a central eólica em Namaacha, de 120 MW, em colaboração com a EDM e com o nosso parceiro local,” adiantou Samir Salé. A construção da linha de transmissão que integrará a central na rede nacional contará com recursos mobilizados pela EDM junto do Banco Africano de Desenvolvimento.
A GLOBELEC também se está a dedicar à conclusão do projecto da Central Térmica de Temane, na província de Inhambane, considerada uma das iniciativas energéticas mais desafiantes dos últimos anos em Moçambique.

















