Sociedade Líderes moçambicanos defendem acções concretas em prol da reconciliação nacional

Líderes moçambicanos defendem acções concretas em prol da reconciliação nacional

O Sheik Said Habib afirmou que o processo de reconciliação nacional deve ser pautado por acções concretas no presente, que visem um futuro melhor para todos os moçambicanos. 

A declaração aconteceu durante a abertura do Fórum Nacional de Paz e Reconciliação, um evento de dois dias organizado pelo Instituto para Democracia Multipartidária (IMD), sob o lema “Buscando caminhos e tecendo alianças”.

Habib, que falava em representação do Ministro da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos, sublinhou que “o tempo que verdadeiramente nos pertence é o presente, onde devemos plantar as sementes do futuro, baseado em ideais de progresso, justiça e bem-estar”.

O Sheik recordou que a busca pela paz e pela reconciliação tem sido um tema central na história de Moçambique. Destacou marcos significativos, como o Acordo Geral de Paz de 1992, que pôs fim à Guerra Civil, o Acordo de Cessação de Hostilidades de 2014 e o Acordo de Paz e Reconciliação de 2019, que se foca no processo de desarmamento, desmobilização e reintegração.

Lamentou as cicatrizes deixadas por conflitos passados, que marcaram gerações e ainda hoje ecoam em algumas regiões do país. Apontou também a pobreza, desigualdade e desafios ao desenvolvimento económico como factores que ameaçam os valores de paz e justiça.

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O dirigente apelou à união de esforços entre governo, sociedade civil, partidos políticos, comunidades religiosas e cidadãos, para atender às necessidades do povo e construir um futuro melhor. Adicionalmente, mencionou novos desafios à paz social, incluindo sequestros, violência doméstica e exploração mineira, que, segundo ele, comprometem o tecido social e o desenvolvimento nacional.

O reitor da Universidade Pedagógica de Maputo, Jorge Ferrão, enfatizou que a reconciliação não se efectiva apenas através de documentos, mas sim através de gestos e atitudes. Durante o Fórum, a universidade transformará o seu espaço académico em um local de diálogo e escuta, visando promover a reconciliação.

Por sua vez, o director executivo do IMD, Hermenegildo Mulhovo, recordou as divisões que levaram a conflitos ao longo dos anos, e expressou o desejo de que os resultados das discussões sejam integrados na Comissão Técnica do Diálogo Nacional Inclusivo.

O Fórum Nacional de Paz e Reconciliação é promovido pelo IMD em parceria com a Fundação MASC, a Universidade Pedagógica de Maputo e o Ministério da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos, no âmbito do consórcio Pro-Paz, financiado pela União Europeia e pelo Projecto Pro-cívicos e Direitos Humanos, entre outros.

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