Populares da localidade de Miangalewa, na província de Cabo Delgado, reportaram o saque de campos agrícolas por supostos grupos armados, que têm actuado na região desde 2017.
A denúncia vem de fontes locais que afirmam que os alvos dos ataques têm sido as culturas de milho, feijões e verduras, especialmente na zona do regadio Nguri.
Os saques, que começaram a ser registados em Setembro, ocorreram quando as colheitas da segunda época produtiva tornavam-se prontas para o consumo, coincidindo com o início da época das chuvas. Uma fonte de Miangalewa expressou a preocupação com a situação, afirmando: “Estão a tirar nossas culturas das machambas e isso já vai nos provocar fome.”
A constante presença dos grupos armados tem levado várias famílias a abandonarem as suas áreas de cultivo, refugiando-se em comunidades próximas, como Miangalewa e Primeiro de Maio. Uma das residentes, manifestando-se sobre a situação, questionou: “Não sei o que será de nós no tempo das chuvas, porque em Miangalewa temos abandonado, por medo deles”, apelando assim por apoio militar.
Um levantamento recente da organização ACLED, divulgado pela Lusa, indica que Cabo Delgado registou, pelo menos, 12 eventos violentos entre 13 e 26 de Outubro, a maioria envolvendo extremistas associados ao Estado Islâmico, resultando em 18 mortes de civis. Desde o início da insurgência em Outubro de 2017, a organização contabiliza 2.236 eventos violentos, dos quais 2.061 estão ligados ao Estado Islâmico Moçambique (EIM).
Os ataques já resultaram em mais de 6.600 mortes em pouco mais de oito anos, incluindo as 18 vítimas reportadas em Outubro. O relatório da ACLED destaca um aumento da actividade insurgente na província, com ataques às forças de segurança e a continuação de homicídios de civis nos distritos de Mocímboa da Praia, Muidumbe e Metuge.
Além disso, a insegurança tem um impacto severo nas comunidades piscatórias, que se encontram expostas a ataques dos insurgentes e a ofensivas das autoridades. A dispersão das actividades insurgentes por Cabo Delgado sugere que estes grupos operam de forma coordenada e abrangente na região.
















