Sociedade Cabo Delgado à beira de crise humanitária após redução da ajuda externa

Cabo Delgado à beira de crise humanitária após redução da ajuda externa

O Governo de Moçambique, em colaboração com diversas agências humanitárias, está a intensificar esforços para encontrar alternativas viáveis que ajudem a mitigar a crise humanitária que assola a província de Cabo Delgado. 

A situação, marcada por um prolongado conflito armado, foi agravada por eventos climáticos severos e, recentemente, pelos cortes de recursos na ONU anunciados pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que tradicionalmente assegurava uma significativa assistência à região.

Actualmente, mais de 670 mil pessoas permanecem deslocadas em Cabo Delgado, dependendo de ajuda humanitária para a sua sobrevivência. Contudo, com a diminuição da assistência externa, várias organizações foram forçadas a encerrar as suas operações e suspender projectos de desenvolvimento na província.

Em resposta à escassez de recursos, o Instituto Nacional de Gestão de Desastres (INGD), em conjunto com os seus parceiros, estabeleceu um grupo focado em soluções duradouras. Este grupo tem como objectivo buscar financiamento interno para enfrentar a emergente crise humanitária.

Marques Naba, delegado do INGD em Cabo Delgado, sublinhou a necessidade de encontrar caminhos locais para resolver os problemas da região. “Temos que começar a encontrar caminhos locais para resolver os nossos problemas”, afirmou Naba, referindo-se à suspensão de centenas de milhões de dólares em doações internacionais por parte do novo governo dos EUA.

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O impacto dos cortes de fundos para ajuda externa não se limita a Cabo Delgado. Várias agências das Nações Unidas expressaram preocupação quanto à fragilidade da situação, que foi exacerbada por anos de conflito, deixando muitas famílias na região numa situação de vulnerabilidade socioeconómica.

Bony Mpaka, chefe adjunto do escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) em Moçambique, garantiu que, apesar das limitações financeiras, a OCHA e os seus parceiros continuarão a prestar apoio aos moçambicanos, focando na assistência aos mais vulneráveis.

Os Estados Unidos foram responsáveis por aproximadamente 47% do financiamento do apelo humanitário global no ano passado, tornando a sua contribuição crucial para a assistência em Moçambique.

No entanto, o activista social Manuel Nota alertou que a redução da ajuda externa poderá levar a um agravamento da situação para as famílias deslocadas, que dependem das doações para sobreviver. Apesar disso, Nota considera que esta situação pode servir como um estímulo para o país “aprender a caminhar com os próprios pés”.

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