A Associação dos Pequenos Importadores Informais, reconhecida como uma das principais fontes de abastecimento de produtos de primeira necessidade na Região Metropolitana de Maputo, lançou um apelo à população para tomar precauções face à iminente rotura de produtos no maior mercado abastecedor da região.
A inquietação da associação surge numa altura em que se aproxima a quadra festiva, período marcado por uma elevada procura de produtos alimentares, em meio a um cenário de incertezas geradas por manifestações que têm sido acompanhadas de barricadas nas estradas.
Sudekar Novela, presidente da associação, expressou a sua preocupação com os recentes bloqueios que têm afectado a cidade e a província de Maputo, comprometendo o normal funcionamento das instituições que sustentam o comércio. “Os bloqueios dificultam não só a circulação de pessoas e mercadorias, mas também têm resultado em actos de vandalismo, como a destruição de um posto policial e de um escritório municipal no mercado grossista de Zimpeto”, salientou Novela.
Este clima de instabilidade tem-se traduzido em uma grave falta de segurança, impactando directamente as operações diárias dos comerciantes. Em dias de intensos protestos, muitos são obrigados a suspender a movimentação de mercadorias, temendo pela integridade dos seus produtos. “As pessoas devem começar a precaver-se e a adquirir os produtos que necessitarão durante este período, pois não sabemos como os protestos poderão afectar os dias mais cruciais para as compras de fim de ano”, advertiu Novela.
Além dos bloqueios, a redução do horário de funcionamento do posto fronteiriço de Ressano Garcia, que deveria operar 24 horas, tem exacerbado a situação.
A concorrência com os transportes de ferrocrómio da África do Sul tem criado um cenário caótico, com os camiões a evitarem os bloqueios ao abandonarem o posto em massa. A nova onda de manifestações limitou ainda mais a circulação, resultando no encerramento do mercado de Zimpeto às 08h00, em vez das habituais 18h00.
A consequência desta limitação é a impossibilidade de descarga de mercadorias, especialmente produtos perecíveis, afectando a sua venda e aumentando o risco de perdas significativas. “Não faz sentido arriscar trazendo mercadorias agora. Com os bloqueios, os camiões arriscam, o que representa prejuízos financeiros avultados”, afirmou um comerciante que enfrentou a quase perda total dos seus produtos durante o transporte.
















