Destaque Presidente do Chade investigado por suspeitas de desvio de fundos públicos

Presidente do Chade investigado por suspeitas de desvio de fundos públicos

O Presidente do Chade, Mahamat Idriss Déby Itno, está a ser alvo de um inquérito judicial preliminar em França, sob suspeita de desvio de fundos públicos e ocultação de despesas em vestuário feitas em Paris, conforme revelado por uma fonte ligada ao processo.

O inquérito, iniciado em Janeiro pela Procuradoria Nacional de Finanças (PNF), está a ser conduzido pelo Departamento Central de Repressão da Grande Delinquência Financeira (OCRGDF). A investigação foi motivada por um artigo publicado no portal de notícias Mediapart, em Dezembro de 2023, que detalhava gastos superiores a 900 mil euros em roupas de luxo, incluindo fatos e camisas, pagos através de uma empresa chadiana.

Segundo o Mediapart, os pagamentos foram efectuados pela empresa MHK Full Business, uma entidade sobre a qual pouco se sabe e que está registada em N’Djamena, com uma conta no Banque Commerciale du Chari (BCC), um dos oito bancos autorizados no Chade. As transferências de fundos ocorreram em 1 de Dezembro de 2021 e novamente em 4 de Maio de 2023.

Além das suspeitas de desvio de fundos, a investigação poderá também abranger os activos imobiliários detidos pela família Déby e pelos seus associados em França.

Mahamat Idriss Déby Itno foi eleito Presidente do Chade em 6 de Maio, numa eleição contestada pela oposição e por organizações não-governamentais internacionais, três anos após assumir o poder à frente de uma junta militar. Com 37 anos, Déby foi proclamado chefe de Estado pelo exército em 20 de Abril de 2021, liderando uma junta de 15 generais após a morte do seu pai, Idriss Déby Itno, que governou o país com mão de ferro durante 30 anos e foi morto por rebeldes.

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O Presidente francês, Emmanuel Macron, foi o único chefe de Estado ocidental a comparecer ao funeral de Idriss Déby Itno. Desde 2021, o Chade tem sido palco de uma repressão violenta, por vezes sangrenta, da oposição, segundo diversas ONG.

O Chade, um país pobre e sem litoral na região do Sahel, sofre de seca prolongada e tem uma população de 18 milhões de habitantes. Conforme o Banco Mundial, 42,3% da população vive abaixo do limiar de pobreza, apesar de o país ser produtor de petróleo desde 2003. A ONG Action contre la Faim estima que mais de 3,4 milhões de pessoas enfrentam insegurança alimentar crítica.

Além disso, o Chade abriga cerca de 1,4 milhões de pessoas deslocadas internamente ou refugiadas de países vizinhos, especialmente do Sudão, em guerra há um ano.

Em Paris, outras investigações estão em curso sobre suspeitas de ganhos ilícitos de famílias de dirigentes africanos, como a família Bongo, do Gabão, e a família Sassou Nguesso, da República do Congo.

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