Sociedade Moçambique investiga circunstâncias da morte do embaixador russo Alexander Surikov

Moçambique investiga circunstâncias da morte do embaixador russo Alexander Surikov

O Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Moçambique anunciou que está a trabalhar em estreita coordenação com a Embaixada da Rússia em Maputo para esclarecer as circunstâncias da morte do embaixador russo Alexander Surikov, ocorrida no sábado.

“O Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação está a trabalhar em coordenação com a Embaixada da Federação da Rússia, em Maputo, nos termos da Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas e Consulares, para o esclarecimento das circunstâncias da sua morte”, declarou José Matsinhe, porta-voz do ministério, numa conferência de imprensa realizada hoje em Maputo.

De acordo com Matsinhe, os contactos visam também garantir a devida solenidade na transladação do corpo do falecido embaixador para a Rússia. O ministério destacou ainda que Alexander Surikov, que desempenhava as suas funções desde 2017, foi um importante promotor das relações de amizade e cooperação entre Moçambique e a Rússia.

O Presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, enviou uma mensagem de condolências ao Presidente russo, Vladimir Putin, pela morte de Surikov, manifestando apoio no processo subsequente. “A partida precoce do embaixador Surikov, um diplomata dedicado, com qualidades excecionais que, com profissionalismo ímpar, soube defender os interesses do seu país, enquanto impulsionava uma cooperação profícua entre os nossos dois países, deixa um vazio imenso”, expressou Nyusi.

O Ministério Público de Moçambique afirmou desconhecer a alegada decisão das autoridades russas de não autorizarem a autópsia do embaixador. Alexander Surikov, de 68 anos, foi encontrado morto no sábado à noite na sua residência oficial em Maputo. A polícia moçambicana informou que as autoridades russas não permitiram qualquer exame ao corpo.

Recomendado para si:  Navio indiano traz ajuda humanitária a Moçambique

“Sobre este assunto [a não autorização de autópsia] não poderei falar (…). Não tenho conhecimento. Mas naturalmente qualquer ocorrência criminal, se for caso, o Ministério Público toma conhecimento”, disse Nazimo Mussá, porta-voz da Procuradoria-Geral da República, à margem de uma reunião em Maputo.

De acordo com um relatório da Polícia da República de Moçambique (PRM) a que a Lusa teve acesso, a “presunção” da investigação aponta para “morte súbita por causas indeterminadas”. Quando o piquete policial chegou à morgue do Hospital Central de Maputo, constatou que o corpo já estava acondicionado, seguindo orientações do cônsul russo Yuri Doroshenkov, que acompanhava o processo.

A equipa técnica da PRM tirou fotografias do corpo e da residência do embaixador, além de recolher o depoimento do cônsul. Em uma das suas raras declarações à comunicação social, Alexander Surikov tinha afirmado, em entrevista à Lusa em 2 de fevereiro, a disponibilidade de Moscovo para apoiar Moçambique no combate ao terrorismo em Cabo Delgado, caso fosse solicitado.

“Nós temos experiência de largos anos de cooperação na esfera militar com Moçambique, ajudamos este país a construir as suas forças armadas e eles sabem perfeitamente sobre as nossas capacidades. Se eles necessitarem de alguma ajuda específica, estamos sempre ao lado”, declarou Surikov na ocasião.

Destaques da semana