Os residentes de Walopwana e Muisse, no distrito de Metuge, na província moçambicana de Cabo Delgado, estão a abandonar as suas aldeias e campos agrícolas com receio de ataques de grupos terroristas, após um ataque recente à aldeia de Pulo.
Segundo informações da comunidade confirmadas pela Lusa, os insurgentes capturaram um morador nas matas de Nampipi no sábado, num campo agrícola, e pediram-lhe para localizar a comunidade de Walopwana, sugerindo que seria o próximo alvo.
Algumas pessoas das comunidades de Walopwana e Muisse, a pouco mais de 50 quilómetros da sede distrital de Metuge, já decidiram abandonar as suas aldeias e campos de cultivo por medo da presença de grupos terroristas.
Num relato à Lusa, um homem de 55 anos lamentou que ele, a sua esposa e os seus filhos estivessem em Metuge desde quarta-feira devido ao receio dos ataques.
Outro caso aconteceu no domingo, quando um casal de idosos partiu de Metuge para Nampipi, a 60 quilómetros de distância, para tratar de um campo agrícola, mas acabaram por regressar após encontrar populares de Walopwana e Muisse em fuga devido aos rumores de ataques.
O ataque em Metuge ocorre num momento em que pragas estão a afetar as colheitas dos agricultores, principalmente na zona de Nampipi, ameaçando a produção de alimentos devido à fuga dos agricultores.
Desde quarta-feira, mais de 70 alunos de uma escola em Pulo, Cabo Delgado, ficaram fechados durante horas numa sala de aula devido a um ataque de insurgentes. O grupo, que incluía o professor, foi apanhado de surpresa durante o ataque, mas acabaram por sair ilesos, após quatro horas.
Os insurgentes informaram à população que não pretendiam maltratar as crianças, mas mantiveram-nas na escola para evitar comunicações, enquanto queimavam casas e saqueavam produtos, causando pelo menos uma morte e forçando os moradores de Pulo, Chauli e Nacutapara a fugir para a sede do distrito, a 30 quilómetros de distância.
Nos últimos meses, Cabo Delgado tem sido alvo de ataques de grupos rebeldes, resultando em deslocamentos significativos, com mais de 99.313 deslocados em fevereiro, segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM).
















