O ex-presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, afirmou que é alvo de perseguição política e negou ter planeado um golpe de Estado enquanto estava no poder, durante uma manifestação convocada por ele próprio que reuniu milhares de pessoas em São Paulo.
“Tenho sido alvo de ataques desde antes das eleições de 2018, sofri quatro anos de perseguição enquanto Presidente da República, e essa perseguição intensificou-se após deixar o cargo”, declarou.
Durante o mesmo discurso, Bolsonaro, que convocou a manifestação em protesto contra as investigações que o ligam a um plano para invalidar as eleições presidenciais de 2022, negou qualquer envolvimento em um golpe de Estado.
“Bolsonaro queria dar um golpe. Ouvia isso desde que assumi a presidência. O que é um golpe? Tanques nas ruas, armas, conspiração, atrair setores empresariais para o seu lado. Nada disso foi feito no Brasil. Nada disso fiz, e ainda assim continuam a me acusar de golpista”, afirmou o ex-presidente.
A manifestação convocada por Bolsonaro, realizada após ele ter sido alvo de uma grande operação policial suspeito de planejar uma suposta tentativa de golpe de Estado, ocorreu em São Paulo e reuniu milhares de seus apoiadores.
Bolsonaro convocou os seus seguidores para uma “manifestação pacífica em defesa do Estado democrático de direito”, e o apelo foi atendido, com muitos manifestantes usando camisolas da seleção brasileira de futebol.
Durante o discurso, Bolsonaro mencionou documentos apreendidos pela Polícia Federal, que indicam a suposta intenção de promover uma intervenção na justiça eleitoral após sua derrota nas eleições presidenciais de 2022.
Em outro momento, o ex-presidente pediu anistia para seus apoiadores que foram detidos em janeiro de 2023, após invadirem e vandalizarem os edifícios do Supremo Tribunal Federal, do Congresso e do Palácio do Planalto, em Brasília.
Apesar de sua inelegibilidade até 2030, decidida pela justiça brasileira, Bolsonaro é considerado a figura proeminente da direita brasileira, num país profundamente polarizado.
No início de fevereiro, Bolsonaro teve seu passaporte apreendido durante uma operação policial relacionada à alegada tentativa de golpe de Estado, que envolveu vários ex-colaboradores de seu governo, incluindo ex-ministros e militares de alta patente.
Convocado para prestar esclarecimentos sobre este inquérito pela Polícia Federal brasileira, Bolsonaro permaneceu em silêncio, pois, segundo seus advogados, não teve acesso às provas que sustentam as investigações.
Além disso, Bolsonaro está sob investigação por suspeita de falsificação de certificados de vacinação contra a covid-19 e apropriação indevida de presentes e joias recebidos de países do Médio Oriente.















