Mocímboa da Praia, voltou a ser alvo de ataques terroristas desde Dezembro de 2023. Até ao momento, há registo de dezenas de mortos, centenas de casas incendiadas e várias aldeias parcialmente abandonadas.
Os ataques têm provocado um novo drama humanitário na região. As poucas famílias que regressaram às suas aldeias, logo após a retirada do grupo armado, vivem numa situação desumana, com falta de quase tudo, desde abrigo, comida, até vestuário.
“Eles queimaram a minha casa com todos os bens lá dentro. Perdi cama, motorizada e toda comida que tínhamos. Agora, a família vive numa barraca que construímos no quintal, e sobrevivemos graças à boa vontade dos familiares, amigos e pessoas de boa vontade que, às vezes, quando têm, partilham connosco”, contou Sebastião Ntimauke, um dos habitantes de Chibanga, uma aldeia que fica a cerca de 10 quilómetros da vila de Mocímboa da Praia.
Os ataques têm sido realizados em várias aldeias da região, incluindo Chibanga, Ntotwe e outros locais próximos da vila-sede do distrito.
No ataque a Chibanga, o grupo armado queimou vários bens da população e roubou produtos alimentares nos estabelecimentos comerciais. Em Ntotwe, o grupo armado roubou vários bens e deixou rastros de destruição.
“Aqui, atacaram no dia 03 (de Janeiro de 2024). Os disparos começaram por volta das dezasseis horas sem parar e prolongaram-se até à noite. Foi aí que vimos que a situação era mesmo grave e não tínhamos alternativa senão pernoitar nas matas. De manhã, quando eles se foram embora, nós voltamos para a aldeia e encontrei a minha casa e a barraca destruídas e vazias. Levaram arroz, óleo sabão e outros produtos básicos que eu vendia e, quando saíram, atearam fogo com tudo o que havia restado”, descreveu Lucas Damásio, um dos habitantes da aldeia Ntotwe.
O regresso do grupo armado a Mocímboa da Praia está a preocupar a população, uma vez que, desde 2021, quando Moçambique recebeu as Forças Armadas da República do Ruanda, o distrito estava livre de ataques terroristas.
O Governo de Moçambique apela a parceiros internacionais para apoio humanitário às populações afectadas pelos ataques terroristas em Mocímboa da Praia.
“Nós já solicitamos a nível da província para ver se se consegue com parceiros um apoio humanitário, sobretudo numa primeira fase, comida e sementes de produção e kits de abrigo, sobretudo lonas e tendas, já que estamos numa época chuvosa, para ver se as famílias conseguem passar por esta fase até à altura que vão conseguir reconstruir as suas casas queimadas”, alertou Sérgio Cipriano, Administrador de Mocímboa da Praia.
O Governo provincial de Nampula, onde se situa Mocímboa da Praia, anunciou que vai enviar uma equipa para a região para avaliar a situação humanitária e definir as medidas necessárias para apoiar as populações afectadas.

















