A ameaça terrorista na província de Cabo Delgado, norte de Moçambique, provocou a fuga de mais de 430 pessoas entre 26 e 28 de dezembro, segundo um relatório da Organização Internacional para as Migrações (OIM).
As famílias afetadas vivem nas aldeias de Mucojo e Pagane, no distrito de Macomia. Elas foram obrigadas a fugir devido a ataques terroristas ou ao medo de serem atacadas.
A maioria das famílias deslocadas (68, com 255 pessoas, incluindo 157 crianças) chegou à ilha do Matemo, onde pretende permanecer por algumas semanas.
Outras famílias estão a procurar abrigo nas comunidades anfitriãs nos distritos de Macomia e Ibo.
O grupo terrorista Estado Islâmico reivindicou a autoria de um novo ataque em Cabo Delgado, em que afirma terem morrido mais quatro militares.
Este é o terceiro ataque reivindicado pelo grupo terrorista em menos de um mês.
A província de Cabo Delgado enfrenta há seis anos uma insurgência armada, que já fez um milhão de deslocados e cerca de 4.000 mortos.
O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, já pediu decisões sobre a capacidade de resposta das Forças Armadas em Cabo Delgado, nomeadamente com reservistas, tendo em conta a prevista retirada das forças estrangeiras que apoiam no terreno contra os grupos terroristas.
A cimeira da SADC aprovou, em agosto passado, a prorrogação da missão em Cabo Delgado, por 12 meses, até julho do próximo ano. Uma missão de avaliação propôs em julho passado a retirada completa dos militares da SAMIM em Cabo Delgado até julho de 2024, assinalando que a situação na província “está agora calma”, apesar de os riscos prevalecerem.
Além da SAMIM e das forças governamentais moçambicanas, combatem a insurgência em Cabo Delgado as tropas do Ruanda, estando estas a operar no perímetro da área de implantação dos projetos de gás natural da bacia do Rovuma.














