Destaque Eleições em Angola: UNITA e MPLA trocam acusações

Eleições em Angola: UNITA e MPLA trocam acusações

A campanha eleitoral caminha para a reta final em Angola, com o dia das eleições, 24 de agosto, cada vez mais próximo. O MPLA partido no poder e a UNITA, que lidera a oposição, disputam o eleitorado com actos políticos de massas em todo o país.

Esta quarta-feira (10.08), João Lourenço, cabeça de lista do MPLA, falou aos eleitores de Malanje. Adalberto Costa Júnior, candidato da UNITA, trabalha por estes dias na província da Lunda Norte. É nestes actos políticos de massa que os dois líderes estão a trocar acusações.

Num comício realizado em julho, na Lunda Sul, Lourenço apelidou seu principal adversário de ilusionista e afirmou que o MPLA vai comemorar a manutenção do poder comendo “cabidela”, prato típico angolano feito com galinha, em alusão ao partido do Galo Negro, como é também conhecida a UNITA.

“Vamos continuar a trabalhar para vitória e vamos conquistar esta mesma vitória. E depois de um trabalho árduo merecemos comemorar. E vamos comemorar como? Vamos comer uma cabidela. Vamos comer uma boa cabidela, não importa se as penas do galo são pretas ou se são brancas. Ninguém come as penas. As penas vão para o lixo. Pretas, brancas e castanhas vão para o lixo. O que se come é o galo”, disse o candidato do MPLA.

Adalberto Costa Júnior responde ao recado com mais um convite para o debate eleitoral. Foi na província do Huambo que o líder da UNITA pediu ao seu adversário que acabe com os “discursos de arrogância”.

“É por isso que estou a repetir que estou pronto. Não fuja. Não tenha medo. Venha ao debate”, apelou. “Ouvimos tantos discursos de arrogância. Mas o que se passa? Estão sem ideias? Não têm projetos? Não sabem defender as suas ideias? Vamos ao debate, não fuja”.

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Adalberto Costa Júnior acusa João Lourenço de ter perseguido politicamente o ex-presidente José Eduardo dos Santos, que morreu há um mês, e promete que o Presidente angolano em fim de mandato não será perseguido quando se efetivar a alternância do poder no dia 24 de agosto.

“Vimos perseguição dos seus adversários internos do próprio partido. Vimos que o combate à corrupção foi só para uns e para os outros foi proteção. Vimos membros do Governo muito ricos, sem capacidade de justificar os seus bens. Nunca houve processo contra eles”, acusa.

O líder da UNITA lembra ainda que foi o seu partido “que tomou a iniciativa de levar ao Parlamento a lei de Repatriamento de capitais, uma lei de equilíbrio que o MPLA reprovou” e promete voltar a propor a mesma legislação se vencer as eleições.

Em resposta, nesta quarta-feira, na cidade de Malanje, João Lourenço acusou a liderança da UNITA de aliar-se aos “corruptos que tiraram o dinheiro de Angola”.

“O irónico é que esses que defendem esse ponto de vista, fizeram um pacto com os corruptos. Estão a comer no prato dos corruptos. Estão a ser financiados pelos dinheiros saídos de Angola pela porta da corrupção”, afirmou.

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