Internacional Regista-se crise no abastecimento de electricidade na África do Sul

Regista-se crise no abastecimento de electricidade na África do Sul

Os cortes rotativos de electricidade na África do Sul intensificaram-se ontem, 19 de Abril, em extensas zonas do país e a empresa pública que gere a rede eléctrica, Eskom, prevê que a situação se mantenha pelo menos até sexta-feira.

Os cortes, que fazem parte do quotidiano dos sul-africanos desde há anos, começaram na semana passada coincidindo com o agravamento das condições meteorológicas da estação de outono no país e são feitos de forma rotativa para tentar evitar o colapso da rede eléctrica, caracterizada por infraestruturas velhas, saqueadas pela corrupção e avarias constantes.

Este fenómeno, conhecido no país como ‘load shedding’ (diminuição de carga), significa que a maioria dos cidadãos e empresas do país sofrerá, em média, cerca de três apagões programados de cerca de duas horas e meia cada.

A situação precária da empresa pública responsável por 90% da produção nacional, a endividada Eskom, está na origem desta crise de electricidade de longo prazo, que tem sido um fardo terrível para a economia mais desenvolvida do continente africano.

A mês e meio do início oficial do Inverno austral (período em que a procura energética aumentará ainda mais), o director do departamento de transmissão da Eskom, Segomoco Scheppers, alertou hoje à imprensa que, em “caso extremo”, a África do Sul poderá atravessar mais de cem dias de “diminuição de carga” durante os meses frios.

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Nesta ocasião, os problemas estruturais da empresa pública foram agravados pelas graves inundações que a província de KwaZulu-Natal, leste do país e que faz fronteiras com Moçambique, atravessa, e que já provocaram 443 mortes confirmadas e o desaparecimento de 48 pessoas.

Desde a sua eleição em 2018, o Presidente da República, Cyril Ramaphosa, não deixou de prometer o fim da crise energética, bem como uma mudança radical na estrutura da Eskom para reverter a situação desta gigantesca empresa (que tem mais de um século de experiência e foi uma das maiores empresas de electricidade do mundo).

No entanto, mais de quatro anos depois de ter chegado à presidência para substituir Jacob Zuma – obrigado a renunciar após nove anos de governo atormentado por escândalos e acusações de má gestão -, persistem os graves problemas da Eskom e a necessidade recorrente de agendar apagões rotativos, pelo que não se prevê no médio prazo um fim para essa situação.

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