Internacional Governo ucraniano negou actos de racismo contra africanos na fronteira

Governo ucraniano negou actos de racismo contra africanos na fronteira

O governo ucraniano disse hoje que a discriminação “nunca foi tolerada” na Ucrânia e assegurou que está a ajudar os estrangeiros a fugirem da guerra, em resposta às denúncias, de uma ONG, de discriminação racial de africanos na fronteira.

Kyiv respondeu diretamente à organização não-governamental (ONG) Human Rights Watch (HRW), que denunciou na sexta-feira que estrangeiros, principalmente africanos, que tentam fugir da Ucrânia perante a invasão militar russa são discriminados pelas autoridades ucranianas ao cruzar a fronteira.

A organização diz que os contactos que manteve com cerca de 30 cidadãos de Marrocos, Índia, Nigéria, Uganda e Tunísia revelam “um padrão de bloqueio ou atraso no embarque de estrangeiros em autocarros e comboios, aparentemente para dar prioridade à saída de mulheres e crianças ucranianas”.

O ministério liderado por Dmytro Kuleba realçou ainda, na reação às acusações, que as autoridades estão a fazer o melhor para ajudar os estrangeiros a fugirem em condições de guerra. E instou ainda a HRW a “fazer o seu trabalho” para responsabilizar o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, por crimes de guerra.

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Os depoimentos de estudantes recolhidos pela HRW são coincidentes na denúncia de que as autoridades ucranianas negaram ou impediram o acesso a autocarros e comboios e chegaram mesmo a pedir que saíssem desses veículos para dar lugar aos ucranianos.

O Governo da Nigéria e a União Africana (UA) denunciaram estas situações e as Nações Unidas também denunciaram episódios de “racismo” na retirada de civis de origem africana e asiática da Ucrânia.

Num comunicado assinado pelo Presidente do Senegal e presidente em exercício da UA, Macky Sall, e o presidente da Comissão da UA, Moussa Faki Mahamat, classificou na segunda-feira como “chocantemente racista” que cidadãos africanos sejam impedidos de fugir do conflito na Ucrânia, apelando a todos os países que respeitem a lei internacional e apoiem quem foge da guerra, independentemente da sua raça.

No caso das Nações Unidas, a denúncia veio da relatora especial da ONU sobre formas contemporâneas de racismo, Tendayi Achiume, que manifestou “sérias preocupações” relativamente às ameaças racistas e tratamento xenófobo contra pessoas não brancas que fogem da Ucrânia.

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