Internacional Deputado da oposição fez um discurso de 15h para destituir Presidente chileno

Deputado da oposição fez um discurso de 15h para destituir Presidente chileno

Um deputado da oposição chilena discursou durante 15 horas, como estratégia para ganhar tempo, permitindo que outro deputado da oposição, chegasse ao Parlamento, para uma votação essencial no processo de destituição do Presidente do Chile.

O inédito estratagema para prolongar a sessão começou às 10:30 de segunda-feira e terminou na madrugada de terça, à 01:30.

O objetivo era dar tempo para que o deputado Giorgio Jackson terminasse a quarentena, após ter sido contacto próximo de um deputado infetado, o candidato à presidência pela oposição, Gabriel Boric, permitindo que pudesse votar a favor da acusação que procura destituir o Presidente, depois das revelações da investigação Pandora Papers.

Como o Parlamento chileno fica em Valparaíso, cidade costeira a 130 quilómetros de Santiago, e o deputado vive na capital, os canais de televisão transmitiram em direto o trajeto de carro do parlamentar pela estrada que une as duas cidades.

Naranjo era um dos parlamentares que debateram os argumentos para pedir a destituição do Presidente chileno, Sebastián Piñera.

O regulamente do Parlamento não estabelece limites para a duração das intervenções. Naranjo pôde assim “esticar” os argumentos durante 15 horas, detalhando a acusação contra Sebastián Piñera pelo processo de venda do projeto de mineração Dominga a um amigo, através de uma ‘offshore’ nas ilhas Virgens Britânicas, um paraíso fiscal.

Sem Jackson, a oposição só conseguiria 77 dos 78 votos necessários para que o processo de destituição possa prosseguir no Senado. Enquanto na Câmara de Deputados basta uma maioria simples, no Senado a destituição exige a aprovação por dois terços. Mesmo que não passe no Senado, a aprovação na Câmara de Deputados terá um impacto político nas eleições gerais, marcadas para 21 de novembro.

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Embora faltem apenas quatro meses para o final do mandato do atual Presidente, a oposição pretende aprovar a sua destituição, para o impedir de se candidatar a cargos públicos nos próximos cinco anos. O Ministério Público chileno também abriu uma investigação sobre a denúncia.

Uma sondagem da consultora Pulso Cidadão indicou que 67% dos chilenos concordam com a destituição de Piñera. A defesa do Presidente argumenta que Piñera não participa na administração de nenhuma empresa há mais de 12 anos e que nem ele nem a família mantinham sociedades de investimento no exterior.

A venda da mineradora por 152 milhões de dólares (131,1 milhões de euros) incluía uma pagamento de 138 milhões de dólares (119 milhões de euros) através das Ilhas Virgens, nove meses depois de Sebastián Piñera ter assumido o seu primeiro mandato (2010-2014).

O contrato estabelecia três parcelas para o pagamento, mas a terceira só aconteceria se a área de instalação não se tornasse uma reserva ambiental, como pretendiam ativistas, condição respeitada pelo Governo.

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