A luta contra as uniões prematuras só poderá alcançar sucessos com a formação profissional das raparigas, através da qual, terão a liberdade de se casarem por uma questão natural e não de sobrevivência.
As estatísticas indicam que 48 por cento das pessoas no país unem-se antes de atingirem 18 anos de idade. Uma prática que afecta as meninas que são forçadas a se casarem prematuramente para garantirem o sustento, em relação aos rapazes, devido a vigência das normas do patriarcado, um acto que perpetua a dependência da mulher e veda o seu contributo para o desenvolvimento do país.
A informação foi avançada segunda-feira, pela directora do Serviço Provincial de Assuntos Sociais (SPAS), Célia Zandamela, falando na cerimónia de abertura da formação de 40 raparigas, em matéria de acesso ao fundo de desenvolvimento e gestão de projectos, para auto-sustento, no distrito de Magude, província de Maputo.
Na ocasião, Zandamela explicou que a formação visa adoptar as raparigas em ferramentas que lhes possibilite iniciar pequenos negócios através dos conteúdos ministrados sobre o empreendedorismo, educação financeira e poupança, elaboração de projectos, procedimentos para acesso ao fundo Pro-Azul, criação, licenciamento e início de actividade económica e a transferência de tecnologias.
A capacitação realizada em parceria com a Agência Andaluza de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento inclui também a componente casamentos prematuros, abordando os efeitos nocivos desta prática para a sociedade, por um lado, e por outro, transmitir às formandas as estratégias para contornar e inverter o cenário.
A fonte disse que a iniciativa surge em resposta aos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável, no seu número cinco que preconiza alcançar a igualdade de género e empoderar todas as mulheres e raparigas.
Referiu que com a capacitação espera-se que as participantes repliquem a iniciativa nos seus respectivos bairros, localidades e postos administrativos, para garantir que mais raparigas tenham capacidade de ter auto-sustento e para que não sejam forçadas a unirem-se prematuramente.
















