Desde que o grupo tomou o poder no Afeganistão, decretos e medidas repressoras sinalizam como será difícil a vida para as mulheres sob os talibãs. Elas prometem lutar por seus direitos – e pedem ajuda internacional.
Por razões de segurança, manifestações estão proibidas no Afeganistão a partir de agora”, diz o primeiro decreto oficial emitido pelo Ministério do Interior afegão sob o novo regime talibã.
A declaração acrescenta que qualquer ato de protesto requer um pedido de permissão oficial e que as agências de segurança devem ser informadas de todos os detalhes, como o tipo de slogans que serão usados durante as manifestações.
O ministério, agora liderado por Sirajuddin Haqqani, que é procurado pelos Estados Unidos por acusações de terrorismo, alertou que os manifestantes enfrentarão “graves consequências jurídicas” em caso de violação das novas regras.
A proibição parece ter como alvo principal mulheres ativistas, que estão na linha de frente dos protestos anti-Talibã desde que o grupo fundamentalista islâmico tomou o poder no país no mês passado.
“Continuaremos as manifestações por nossos direitos, mesmo sem permissão oficial”, diz Mahbobe Nasrin Dockt, ativista dos direitos das mulheres em Cabul, capital afegã. “O Ministério do Interior liderado pelo Talibã nem mesmo começou seu trabalho adequadamente. A quem devemos pedir permissão? Também é óbvio que eles não nos darão permissão assim que souberem por que queremos nos reunir.”
Desde o início de setembro, Nasrin Dockt vem organizando manifestações em Cabul contra os novos governantes. Em um protesto recente, ela foi presa. “Eles inseriram meus dados em um sistema e me avisaram para não organizar mais nenhuma manifestação. Mas não serei intimidada. Se não lutarmos, perderemos.”














