O Incumprimento das medidas de prevenção da Covid-19, com maior expressão durante a quadra festiva, ditou o aumento do número de novas contaminações e óbitos, segundo o Presidente da República, Filipe Nyusi, na sua comunicação à nação feita na quinta-feira (04) sobre a actual situação desta pandemia.
O Chefe do Estado disse que a subida de casos começou na segunda metade de Dezembro de 2020 e se acentuou a partir da primeira semana de Janeiro do presente ano.
“Hoje estamos cientes de que foram as enchentes nas praias, encontros sociais, festas, e abraços infindáveis que fizeram crescer assustadoramente o número de pessoas infectadas e de mortos”, lamentou o estadista.
Em termos numéricos, só no mês de Janeiro foram registados 20.012 casos, contra a média mensal de 1.864 casos do período compreendido entre Março e Dezembro de 2020.
No mês de Janeiro, foram registados 887 internamentos, contra a média de 80 por mês, enquanto em termos de mortes por Covid-19 foram 200 indivíduos, superando a cifra de 17 óbitos por mês que se registou em 2020. Os dados acumulados até quinta-feira indicavam a existência de 42.172casos notificados, 25.673 recuperados e 427 óbitos.
“Este aumento de casos indica que o país enfrenta desde Novembro do ano passado uma segunda vaga da pandemia, com as análises genéticas a revelarem a existência de uma variante do vírus mais contagiosa, identificada na vizinha África do Sul”, disse o Presidente.
Acrescentou que esta situação é preocupante para o Sistema Nacional de Saúde em termos de capacidade de leitos hospitalares para atender os doentes infectados pela Covid-19 e os que padecem de outras doenças, com grave impacto para a situação económica e social do país.
De acordo com Filipe Nyusi, a maioria dos casos de internamento e mortes pela Covid-19 está concentrada na chamada zona metropolitana do Grande Maputo, que cobre as cidades de Maputo e Matola, o município da vila de Boane e o distrito de Marracuene.
A situação fez com que fosse atingido o limite máximo da capacidade de acompanhamento de contactos e de internamento de doentes que padecem da doença.
A cidade e a província de Maputo registaram, de Março a Dezembro de 2020, 12.852 casos, que representam 70 por cento do total nacional; 707 internados, correspondentes a 84 por cento do total nacional; e 139 óbitos, o equivalente a 88 por cento.
Só em Janeiro deste ano, a cidade e a província de Maputo registaram 11.685 casos, que representam 58 por cento do total nacional. Este dado mostra uma redução em termos percentuais, significando que as outras províncias também já estão a aumentar casos de contaminações. A cidade de Maputo registou só no mês de Janeiro 176 óbitos.
Segundo o estadista, a cidade e a província de Maputo continuam epicentro da pandemia em Moçambique, mas com uma aceleração da transmissão em outras partes do país.
O Presidente descreveu a situação como preocupante, daí o agravamento e o reforço das medidas de prevenção da doença a nível nacional, com especial ênfase para as zonas onde se apresenta com maior gravidade.
Fez saber que, no âmbito do cumprimento do Decreto número 1, de 13 de Janeiro de 2021, foram fiscalizadas em todo o país, até 31 de Janeiro, 5243 unidades económicas formais e informais, que revelaram um incumprimento generalizado das medidas decretadas.
Pelo incumprimento das medidas foram encerradas no mesmo período cinco discotecas e 12 salas de jogos e casinos, oito ginásios clandestinamente abertos e 431 bares de venda de bebidas alcoólicas. Foram também encerradas 2.805 barracas, incluindo quiosques móveis e fixos de venda de bebidas alcoólicas.













