O embaixador italiano em Kinshasa, Luca Attanasio, foi morto a tiro na segunda-feira (22) num ataque armado a um comboio do Programa Alimentar Mundial (PAM), durante uma visita perto de Goma, no leste da República Democrática do Congo, segundo fontes diplomáticas.

O embaixador Luca Attanasio, de 43 anos, “morreu em consequência dos ferimentos” no hospital depois da comitiva das Nações Unidas em que seguia ter sido atacada perto de Goma, disse à agência AFP uma fonte diplomática em Kinshasa.

Neste ataque foram também mortas outras duas pessoas, de acordo com o porta-voz do exército na região do Kivu Norte, major Guillaume Djike, que segundo várias fontes trata-se do condutor e do guarda-costas do embaixador.

A morte do diplomata foi já confirmada pelo Ministério italiano dos Negócios Estrangeiros.

“É com profunda tristeza que o Ministério dos Negócios Estrangeiros confirma a morte, hoje em Goma, do embaixador italiano na República Democrática do Congo, Luca Attanasio, e de um soldado”, refere-se num comunicado. O ministro Luigi di Maio expressou ainda “grande consternação e imensa dor” pelas mortes.

“Não serão poupados esforços para esclarecer o que aconteceu”, acrescentou.

Luca Attanasio, embaixador na República Democrática do Congo desde início de 2018, foi “baleado no abdómen” e transportado “em estado crítico” para um hospital em Goma.

O ataque aconteceu por volta das 10h15 locais (menos duas horas em Portugal continental) e acredita-se que terá sido uma tentativa de sequestro, segundo oficiais do Parque Nacional de Virunga.

Desconhece-se a autoria do ataque. Vários grupos armados e milícias que operam operam nas imediações da cidade de Goma, a leste da República Democrática do Congo, onde as Nações Unidas lutam para manter a paz desde 1999. Esta é uma das maiores missões da ONU no mundo, com 17 mil pessoas no terreno.

O ataque ao comboio do PAM aconteceu na capital da província do Kivu Norte, que tem sido flagelada pela violência de grupos armados há mais de 25 anos. O exército congolês confirmou, entretanto, que “as Forças Armadas Congolesas estão a tentar descobrir quem são os agressores”.

Esta região, que acolhe o Parque Nacional da Virunga, uma joia natural, turística e em perigo de extinção, é também o cenário de conflito no Kivu Norte, onde dezenas de grupos armados lutam pelo controlo da riqueza do solo e subsolo. Criado em 1925, o Parque Nacional de Virunga é Património Mundial da UNESCO. Estende-se por 7.769 km2, desde Goma até ao território de Beni, entre montanhas e florestas.