Milhares de deslocados internos da província de Cabo Delgado, que dependem da assistência vital do Programa Mundial para a Alimentação das Nações Unidas (PMA) e de parceiros, enfrentam uma ameaça de fome e desnutrição, visto que as operações humanitárias carecem de 108 milhões de dólares (cerca de 8 mil milhões de meticais).

O PMA aponta, citando o Governo, que o número de pessoas forçadas a abandonar as suas casas aumentou para 565.000, e após uma avaliação exaustiva dos recursos disponíveis, necessidades nutricionais e preocupações de protecção no país, e consultas com o Governo e parceiros, decidiu manter a cesta básica actual de assistência alimentar crítica a pelo menos 400.000 pessoas afectadas pelo conflito na província de Cabo Delgado.

A agência fornece uma cesta alimentar familiar mensal em espécie de 50 quilogramas de cereais, 5 litros de óleo e 10 quilogramas de feijões secos e lentilhas.

Onde os mercados locais funcionam, segundo uma nota enviada ao “notícias”, a assistência é baseada em dinheiro, permitindo que as famílias escolham a sua própria cesta básica (alimentos e kits de higiene) em troca de senhas de 3600 meticais por mês.

Esta cesta de alimentos garante pelo menos 81% (oitenta e um por cento) das necessidades diárias de quilocalorias para os deslocados e contribui para evitar que famílias já traumatizadas e vulneráveis sejam vítimas de exploração ou empreguem mecanismos de sobrevivência negativos.

Aponta que caso a actual escassez de financiamento prevaleça e o PMA tenha de usar os seus recursos até ao limite, a assistência alimentar vital fornecida às pessoas afectadas pelo conflito, estabelecidas em Cabo Delgado, Nampula e Niassa, será interrompida em Março deste ano.

Esta situação não só levanta preocupações em torno da segurança alimentar e riscos à saúde resultantes da desnutrição, como também é alarmante do ponto de vista da protecção, numa crise prolongada que coloca uma carga inevitável sobre comunidades acolhedoras, podendo criar tensões intrafamiliares.

Além disso, há indícios de aumento da violência doméstica e de casamento precoce, com a falta de recursos e as dinâmicas de poder desiguais a potenciarem situações de sexo para sobrevivência, que trazem riscos maiores de HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis (IST), bem como de gravidez precoce.

O tráfico e a exploração de trabalho (incluindo infantil) e o recrutamento potencial (forçado) por grupos armados também foram identificados como riscos significativos que podem ser agravados com uma redução da assistência alimentar.

O PMA precisa actualmente de 10,5 milhões de dólares por mês(784,8 milhões de meticais)para fornecer assistência alimentar a 750.000 pessoas (500.000 deslocados internos e 250.000 das comunidades anfitriãs) afectadas pelas acções de grupos terroristas em Cabo Delgado.

Para garantir a assistência alimentar humanitária nos próximos 12 meses, o PMA precisa de 132,4 milhões de dólares (9,9 mil milhões de meticais), dos quais apenas 24,4 milhões (1,8 mil milhões) foram garantidos até o final de Dezembro de 2020.