Sociedade Movimento de regresso pressiona postos de fronteira

Movimento de regresso pressiona postos de fronteira

Os postos de fronteira de Ressano Garcia, Namaacha e Ponta doOuro, na província de Maputo, registaram ontem, pelo segundo terceiro dia consecutivo, uma avalanche de pessoas que pretendiam regressar aos seus locais de trabalho na África do Sul, num contexto de restrições impostas pelo novo coronavírus.

Devido a esta situação, formaram-se longas filas, sendo que em Ressano Garcia, a maior fronteira do país, as viaturas que seguiam rumo à África do Sul podiam ser vistas por quilómetros e em algum momento embaraçaram a circulação no sentido contrário.

O cenário começou a registar-se no domingo,e Juca Bata, porta-voz do Serviço Nacional de Migração na província de Maputo, relacionou-ocom a demora da abertura do lado sul-africano da fronteira de Ressano Garcia e a exigência do teste da Covid-19.

Apesar do arranque do posto de Lebombo  (com atraso de cerca de três horas) e activação da paragem única no quilómetro quatro, do lado moçambicano, as dificuldades de travessia prevaleceram, facto associado ao novo protocolo que inclui a apresentação de teste negativo da Covid-19.

Em condições normais,a fronteira abre às seis horas e encerra às 21 mas, segundo Bata, a equipa de rastreio da Covid-19 chegou com atraso de três horas nos dois dias (domingo e ontem), para além de ter encerrado duas horas antes do previsto, pelo menos no último fim-de-semana.

As autoridades sul-africanas exigem que os viajantes voltem a fazer o teste, alegando que o exame rápido, feito na altura da entrada para Moçambique, tem a validade de 72 horas. Assim, os viajantes têm de voltar a despender 170 randes (cerca de 870 meticais).

Para minimizar a situação, foram formados postos de atendimento no quilómetro quatro, dez e quinze, do lado moçambicano, sendo que depois dos procedimentos nestes postos os viajantes são depois escoltados até ao outro lado da fronteira.

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Mesmo assim, segundo a fonte, nalgum momento houve casos de “indisciplina” no domingo e ontem que acabaram por provocar congestionamento, não permitindo o fluxo normal de veículos nos dois sentidos.

A força no terreno foi reforçada paracontrolar a situação, mas o movimento de saídas continuava a crescer até ao período da noite de ontem.

O facto é que, contrariamente aos anos passados, a maior parte dos viajantes atravessa em viaturas particulares e não em machimbombos como da Vaal Maseru,que transportavammineiros, número que se adiciona aos camiões de carga.

O comando conjunto Moçambique-África do Sul estava reunido até ao fecho da presente edição para delinear estratégias. Entre as opções na mesa, segundo Bata, constava a abertura da fronteira 24 horas, pelo menos durante um ou dois dias,e a flexibilização do rastreio da Covid-19.

“Nós estamos disponíveis a trabalhar 24 horas, mas os sul-africanos estão a observar o recolher obrigatório a partir das 21 horas”, disse.

Até antes de sábado, tinham passado pela fronteira moçambicana pouco mais de 106 mil pessoas, sendo 68.861 entradas. Mas só nodia 2 de Janeiro houve 3923 saídas e 756 entradas.

Entretanto,e aliado aos testes, pelo menos 23 moçambicanos foram detidos ontem pelas forças de segurança da África do Sul, no posto de Kosi Bay, do outro lado da fronteira da Ponta do Ouro.

Os imigrantes moçambicanos foram detidos separadamente por falta de teste daCovid-19 e tentativa de entrada ilegal na África do Sul.

Ponta do Ouro e Namaacha foram colocadas como fronteiras alternativas pelas autoridades moçambicanas,numa tentativa de descongestionar Ressano Garcia, que, muitas vezes, tem sido vista como a única porta de entrada e/ou saída do país.

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