Feira da Juventude, mais conhecida por Mercado dos Bombeiros, situada num dos bairros do centro da cidade de Nampula, vai ser requalificada para a melhoria do ambiente das actividades comerciais ali desenvolvidas, numa iniciativa do proprietário do espaço, a Organização da Juventude Moçambicana (OJM).
Para dar lugar aos referidos trabalhos, cerca de 3000 comerciantes já foram notificados para abandonarem o local.
Sabe-se que uma parte considerável de proprietários das barracas instaladas nos “Bombeiros” exerce as suas actividades comerciais no local há mais de duas décadas e alguns têm o título de Direito do Uso e Aproveitamento de Terra (DUAT) dos espaços que ocupam.
Neste momento, os comerciantes, entre nacionais e estrangeiros, reivindicam os seus meios de sobrevivência, afirmando que caso saiam da Feira da Juventude não terão outra alternativa para sustentar as suas famílias.
Marta Feniasse, que há 17 anos vende neste mercado, disse ter-se admirado quando foi informada de que devia abandonar o local.
O local pertence à OJM, braço juvenil do partido Frelimo, que detém um DUAT há mais de quatro décadas. Na altura em que o município da cidade de Nampula estava sob a gestão do partido Frelimo, as receitas provenientes dos impostos dos que exerciam actividades na Feira da Juventude eram repartidas entre a autarquia e a OJM.
A partir da altura em que o município passou a ser gerido, primeiro, pelo MDM, através de Mahamudo Amurane, e depois pela Renamo, por Paulo Vahanle, esta divisão de receitas deixou de acontecer, por isso a OJM decidiu dar outro destino ao seu espaço.
Os comerciantes propõem uma negociação no sentido de se encontrar uma solução e admitem recorrer à Justiça, caso não haja “abertura por parte da OJM”.
“Estamos abertos para uma negociação. Se a OJM não aceitar, vamos levar o caso ao tribunal. Não vamos sair sem haver negociação”, disse Feniasse.
Entretanto, uma fonte sénior da OJM informou que o processo de requalificação da Feira da Juventude foi decidido ao nível central e a execução da actividade implica a “retirada provisória dos comerciantes, os quais poderão voltar a ocupar os seus lugares quando terminarem as obras que vão ter lugar e mediante os termos e condições”.
“As pessoas foram informadas que serão retiradas e só voltarão a ocupar os espaços depois da conclusão dos trabalhos de requalificação. A iniciativa visa criar condições para o exercício da actividade de forma organizada”, disse.














