Aumentaram nos primeiros 11 meses do ano,na cidade da Beira,os casos de abandono de pacientes ao Tratamento Anti-Retroviral (TARV), passando de 6.451 para 9.452 comparativamente a igual período do ano passado, o que representa um incremento de 47 por cento.

O facto foi tornado público na terça-feira (01) pela directora de Serviço Distrital de Saúde, Mulher e Acção Social (SDMAS), Neusa Joel, durante a passagem do Dia Mundial da Luta Contra o HIV/SIDA, este ano assinalado sob o lema “Solidariedade Global, Responsabilidade Compartilhada”.

Neusa Joel considerou assim,que os números de abandono ao TARV são elevados, o que preocupa o sector da Saúde, pois não contribui para o bem-estar de cada cidadão que padece desta enfermidade.

Por outro lado, a directora apontou que a pandemia do novo coronavírus colocou um desafio acrescido aos programas de controlo de tratamento do HIV/SIDA, resultando na redução de muitas actividades e na desistência dos pacientes havendo, por conseguinte, a necessidade de ajustar a realidade às novas dinâmicas impostas pela Covid-19.

Deu exemplo de algumas actividades nas unidades sanitárias que foram canceladas, o que de alguma forma impulsionou o abandono de certos cidadãos ao tratamento do HIV/SIDA apesar de os activistas muitas vezes se deslocarem às casas dos pacientes com intenção de persuadí-los a cumprirem rigorosamente o tratamento.

A especialista apontou que uma das causas que pode estar associada aos abandonos é a falta de residência fixa.

Ou seja, muitas pessoas vivem em casas arrendadas e quando os activistas da Saúde vão à sua procura não os encontram porque mudaram de residência.

A outra causa, segundo a mesma fonte, é a desonestidade dos pacientes que facultam nomes falsos às unidades sanitárias e quando as equipas daSaúde se deslocam às comunidades para prestar assistência torna-se difícil localizá-los.

Para tentar fazer face a todas estas contrariedades, o sector de Saúde criou um sistema com a lista nominal dos pacientes que abandonaram o tratamento e dividiu-a pelos activistas de acordo com cada área de actuação de forma que andem por todas as unidades sanitárias para verificar se retomaram o tratamento.

 

No entanto, Neusa Joel justificou que se registou uma paragem nessas deslocações dos activistas entre os meses de Março e Outubro deste ano devido à propagação da Covid-19.

Nessa altura, entretanto, a orientação eraque todos os indivíduos deviam manter-se nas suas casas e evitar locais de aglomeração e contactos com pessoas distintas por longo período