Internacional Países endividados têm de ser mais transparentes com os investidores

Países endividados têm de ser mais transparentes com os investidores

O Instituto Financeiro Internacional (IFI) defendeu que os governos dos mercados emergentes devem apostar mais na transparência da informação sobre as emissões de dívida pública e no melhoramento das relações institucionais com os investidores.

Muitos mercados emergentes trabalharam muito para melhorar as práticas do relacionamento com os investidores, ajudando a apoiar uma expansão massiva do universo da dívida destes mercados, que passou de 5 biliões de dólares [4,2 biliões de euros] em 2005 para 23 biliões de dólares [19 biliões de euros] em 2020″, lê-se numa nota de análise deste instituto que representa os investidores e credores privados.

“No entanto, só metade dos mercados emergentes no nosso inquérito anual divulga informação sobre a temática da governação ambiental, social e corporativa”, conhecida pela sigla inglesa ESG, “e a divulgação de informação tende a ser incompleta e difícil de comparar”, alertam os investidores.

“A próxima década pode ver um aumento exponencial nos rácios da dívida num ambiente de políticas públicas expansionistas, o que é um forte contraste com o preconceito da austeridade da última década, pelo que um nível elevado e crescente de dívida torna as relações com os investidores numa das principais prioridades para os mercados emergentes”, alerta o IFI.

No documento que dá conta que a maioria dos países africanos está abaixo da média no que diz respeito à divulgação de informação não só sobre a temática ESG, mas também sobre dados comparáveis e padronizados, o IFI alerta que “com os mercados internos ainda pequenos e fragmentados, num contexto de acesso limitado a fundos públicos, o acesso aos mercados internacionais será uma consideração fundamental para os países vulneráveis e de baixos rendimentos que procuram fluxos de investimento que permitam cumprir os objetivos do desenvolvimento sustentável”.

O impacto do choque da pandemia de covid-19 nos mercados da dívida dos países emergentes sublinhou a importância de uma “comunicação proativa” entre os países soberanos devedores e os seus credores, acrescentam os analistas do IFI, que monitoriza e avalia as práticas de transparência dos dados e as relações com os investidores em quase 40 mercados emergentes e países em desenvolvimento, entre eles o Brasil e, em África, a Nigéria, o Gana, a África do Sul e a Zâmbia, entre outros.

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endividamento dos países em desenvolvimento, e dos africanos, em particular, tem sido um dos temas mais debatidos nos últimos meses na comunidade financeira devido às dificuldades acrescidas que a pandemia de covid-19 trouxe para estes países servirem a dívida pública, que já estava a crescer e que se tornou insustentável devido ao abrandamento da economia e aumento da despesa pública.

O continente africano registou nas últimas 24 horas mais 307 mortes devido à covid-19, aumentando para 43.176 o total de vítimas mortais pelo novo coronavírus, que já infetou 1.794.507 pessoas na região, segundo dados oficiais.

De acordo com o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças da União Africana (África CDC), nos 55 Estados-membros da organização registaram-se nas últimas 24 horas mais 10.424 casos de covid-19.

O primeiro caso de covid-19 em África surgiu no Egito, em 14 de fevereiro, e a Nigéria foi o primeiro país da África subsaariana a registar casos de infeção, em 28 de fevereiro.

pandemia de covid-19 já provocou mais de 1,2 milhões de mortos e mais de 46,4 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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