Internacional Milhares de muçulmanos protestam contra Macron no Paquistão

Milhares de muçulmanos protestam contra Macron no Paquistão

Milhares de muçulmanos no Paquistão saíram hoje das orações de sexta-feira para se juntarem aos protestos contra a França, após o Presidente francês ter prometido proteger o direito de caricaturar o profeta Maomé.

Estima-se que 2.000 fiéis que celebravam o Mulude, o dia do nascimento do profeta Maomé, saíram para as ruas na cidade oriental de Lahore.

Multidões lideradas por partidos islâmicos gritavam slogans anti-França, erguiam faixas e obstruíam estradas principais a caminho de um santuário sufi.

Dezenas de pessoas pisaram furiosamente bandeiras francesas e apelaram ao boicote aos produtos franceses.

Em Multan, uma cidade na província de Punjab, no leste do Paquistão, milhares queimaram uma imagem do presidente francês Emmanuel Macron e exigiram que o Paquistão rompesse os laços com a França.

Mais protestos estão planeados para hoje no Paquistão, incluindo na capital, Islamabad, onde a presença da polícia nas ruas é muito intensa para evitar possíveis manifestações junto à embaixada francesa.

A atmosfera estava tensa quando a polícia bloqueou algumas estradas.

Outros protestos, em grande parte organizados por islamitas, são esperados em toda a região, incluindo no Líbano e na Faixa de Gaza.

No Afeganistão, membros do partido islâmico Hezb-i-Islami incendiaram a bandeira francesa. O seu líder, Gulbuddin Hekmatyar, advertiu Macron de que se não “controlar a situação” estará à vista “uma terceira guerra mundial e a Europa será a responsável”.

Os protestos surgem numa altura de tensões crescentes entre a França e as nações de maioria muçulmana.

As tensões intensificaram-se este mês quando um jovem muçulmano decapitou um professor francês que havia mostrado caricaturas do profeta Maomé numa aula sobre liberdade de expressão.

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Essas imagens, republicadas pela revista satírica Charlie Hebdo para marcar a abertura do julgamento pelo ataque mortal de 2015 contra a publicação, despertaram a ira de muçulmanos em todo o mundo que consideram as representações do profeta uma blasfémia.

Seguiram-se uma série de ataques que as autoridades francesas atribuíram ao extremismo muçulmano.

Na quinta-feira, numa igreja católica em Nice (França), um homem armado com uma faca matou três pessoas e, no mesmo dia, um outro esfaqueou e feriu um guarda da segurança no consulado francês em Jiddah, na Arábia Saudita, o que levou a França a exortar os seus cidadãos a ficarem em “alerta máximo”.

Na semana passada, protestos e pedidos de boicote aos produtos franceses espalharam-se rapidamente do Bangladesh ao Paquistão e ao Kuwait.

Os líderes muçulmanos, em particular o Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, criticaram a França pelo que consideram uma postura provocatória e antimuçulmana do Governo.

O ataque de quinta-feira em Nice também recebeu condenações de líderes de países que expressaram indignação com as caricaturas, como a Arábia Saudita, o Paquistão e o Egito.

Num sermão transmitido pela televisiva da TV estatal egípcia, o ministro das instituições religiosas do país condenou qualquer retaliação violenta pelos desenhos.

“O amor pelo profeta não pode ser expresso matando, sabotando ou respondendo ao mal com o mal”, disse Mohamed Mokhtar Gomaa, dirigindo-se a dezenas de fiéis numa mesquita na província egípcia de Daqahleya, no Delta.

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